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Custo de vida em Luanda apresenta maior registo nos últimos quatro anos

O custo de vida em Luanda aumentou 30,2% em Setembro de 2021, o maior registo nos últimos quatro anos, segundo dados do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) recentemente divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Por Isaac Sócrates em 18/10/2021 às 13:48:13
Custo de vida em Luanda apresenta maior registo nos últimos quatro anos

Custo de vida em Luanda apresenta maior registo nos últimos quatro anos

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), revelam que a inflação na capital do País está fora do controlo. Em termos anuais, a classe alimentação e bebidas não alcoólicas subiu cerca de 33% lidera a subida dos preços seguidos da saúde com 25,8%.

De acordo com Jornal o Mercado, em termo mensais os preços em Luanda aumentaram 2,3%, elevando a taxa acumulada para 22,3% e a inflação anual para 30,2%, é necessário recuar até Junho de 2017 para encontrar um registo tão elevado, sendo a inflação mais alta da governação de João Lourenço.

Os dados do INE revelam que a inflação em Luanda está fora do controlo. O ritmo de aumento dos preços na capital do País descolou da nacional a partir de Dezembro de 2020.

A nível nacional os preços aceleraram 0,05 pontos percentuais (pp) ao registar um aumento de 2,2% em termos mensais, pois é preciso recuar até Setembro de 2018 para encontrar um registo tão elevado, a taxa acumulada foi de 19,4% e a anual registou um aumento de 26,6%.

A inflação média que serve de base as negociações sala- riais foi de 25,2%, um aumento de 0,2 pp em relação ao mês anterior.

Depois da Lunda-Norte com 2,4%, Luanda o principal centro de consumo no País registou maior aumento nos preços com 2,3%, segue-se o Zaire, o Huambo, ambas com 2,3% e Luanda-Sul com 2,2%.

Por sua vez, as províncias com menor variação nos preços foram: Cuanza-Sul, Cuanza- Norte, Bié, Moxico todas com 1,9% e Bengo com 2%. Das 12 classes que servem de base para o cálculo da inflação nacional, a classe alimentação e bebidas não alcoólicas com 2,6% foi a que registou o maior aumento de preços, destacam-se também o aumento dos preços na classe de

Mobiliário, equipamento doméstico e manutenção, com 2,1%, bens e serviços diversos com 2%, saúde e bebidas alcoólicas e tabaco com 1,9%.

Em termos anuais a classe alimentação e bebidas não alcoólicas com 33% também liderou a subida dos preços seguido da saúde com 25,8%. Desde 2019 que o salário dos angolanos não é reajustado o que reduz ainda mais o poder de compra das famílias, pode-se concluir que praticamente as pessoas só ganham para comer.

Especialistas defendem que a inflação em Angola deve-se à redução na oferta de bens e serviços, causadas pela fraca produção nacional agudizada com o fraco sistema logístico nacional, infra-estruturas de transporte, conservação, empacotamento, défice na distribuição da cadeia alimentar, mau estado das vias, elevado número de falências das empresas e dificuldade no acesso às divisas, custos que depois se reflectem no preço do produto final.

O economista Francisco Paulo apontou ainda que maior parte dos produtos chega por via dos portos, as empresas que gerem os terminais portuários cobram preços muito

elevados quando o contentor é desalfandegado.

"A questão da inflação em Angola não é monetária é um problema estrutural a política monetária em si não é suficiente para combater", disse.

O também economista e director do Centro de Investigação Económica (Cinvestc) da Universidade Lusíada, Heitor Carvalho, refere que a falta de concorrência foi e continua a ser um importante factor inflacionista em Angola. Facto que considerou não estar ainda percebido pelo BNA, pelo Executivo, bem como pela generalidade dos analistas.

"Enquanto os negócios não se multiplicarem e concorrerem a pressão no sentido da alta de preços persistirá", acrescentou.

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