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TPA lê editorial muito duro contra a imprensa portuguesa a que acusa de "ingerência abusiva e grosseira"

O editorial lido por S√≠lvia Samara, sem se perceber qual a sua origem, insurge-se contra o tratamento que o combate à corrup√ß√£o est√° a ter nos √≥rg√£os de comunica√ß√£o social portugueses, o mais recente, na TVI, em que √© divulgada a not√≠cia que o Minist√©rio P√ļblico portugu√™s abriu um processo de investiga√ß√£o que visa actual ministro da Energia e √Āguas, Jo√£o Baptista Borges, e seus familiares.

Por João Alberto em 20/06/2021 às 16:59:03

Ao longo de cinco minutos, logo após abordar o tema da cimeira da CPLP que se realiza em meados de Julho em Luanda, a apresentadora S√≠lvia Samara, refere que neste momento em que governos e povos que integram a organiza√ß√£o "aproveitar√£o para reafirmar la√ßos de amizade, irmandade e coopera√ß√£o", assistem-se a "ac√ß√Ķes contr√°rias" e "a partir de Lisboa, h√° quem ainda pense ser poss√≠vel fazer inger√™ncia abusiva e grosseira nos assuntos de outros estados da mesma comunidade".

"Os meios de comunicação nestes casos são apenas veículos de transmissão nesta campanha de desestabilização dos nossos países, daí não acusarmos nenhum deles em concreto", prossegue a apresentadora, apontando "reiteradas tentativas de, com reportagens televisivas , artigos em jornais ou noutros meios" se tentar mostrar que Angola não está realmente empenhada na luta contra a corrupção.

"Em matéria de combate à corrup√ß√£o e à impunidade, em apenas tr√™s anos, fez mais do que aqueles que nos pretendem dar li√ß√Ķes", diz a apresentadora da TPA, sublinhando que "Angola n√£o é menor de idade" e que a justi√ßa angolana j√° condenou dois ministros e o gestor do Fundo Soberano de Angola, mesmo sendo filho do ex-Presidente, José Eduardo dos Santos.

Faz também alus√£o ao processo contra o empres√°rio Carlos S√£o Vicente, que est√° detido em Luanda, gestor da seguradora AAA, empresa pertencente à petrol√≠fera Sonangol que "por obra e gra√ßa de S√£o Vicente se transformou em suposta propriedade do empregado a quem o legitimo propriet√°rio confiou a sua gest√£o".

E acrescenta: "por sinal, o protagonista desta fa√ßanha é genro do presidente e fundador da na√ß√£o, pessoa de uma verticalidade moral acima de qualquer suspeita".

O editorial prossegue lembrando que o chefe do Estado angolano afastou das suas fun√ß√Ķes oito generais afetos à sua Casa de Seguran√ßa por suspeitas de liga√ß√£o a um caso de corrup√ß√£o e real√ßa que "os maiores interessados na luta contra a corrup√ß√£o em Angola s√£o os angolanos e as suas autoridades" tal como "os maiores interessados no combate a corrup√ß√£o em Portugal s√£o os portugueses".

O editorial lido por Sílvia Samara passa nessa altura a focar-se em Portugal que "tem, entre outros, o processo Marquês que se arrasta há anos a fio".

"Mas nunca a comunica√ß√£o social angolana interpelou o chefe de estado portugu√™s ou o primeiro ministro portugu√™s para se pronunciarem sobre o caso por que n√£o nos diz respeito mas também porque sabemos que, tal como em Angola, n√£o é deles a responsabilidade pelo bom andamento, ou n√£o, dos processos judiciais", disse a apresentadora da televis√£o p√ļblica.

Silvia Samara recomenda a "essas for√ßas, que hoje se julgam no direito de pressionar o chefe de estado angolano a demitir ministros" que pressionem a justi√ßa portuguesa a abrir processos crime "contra os cidad√£os portugueses que geriram as fortunas angolanas exibidas em Portugal nos √ļltimos 20 anos e que, na altura, eram consideradas bem vindas com a coniv√™ncia de muito boa gente travestida de moralista sem moral".

O editorial termina em tom conciliador e deixa recados: "No meio de toda esta pouca vergonha, atrevimento e insensatez resta nos a consola√ß√£o de, a n√≠vel institucional, o chefe do Estado portugu√™s, o governo portugu√™s e a justi√ßa portuguesa trabalharem sempre pela manuten√ß√£o das boas rela√ß√Ķes de amizade e coopera√ß√£o entre os nossos pa√≠ses , mantendo-se longe dos c√≠rculos que nos querem tratar como meras marionetas de circo, embora devessem saber que com Angola isso n√£o e poss√≠vel".

Na quinta-feira, a TVI noticiou que o Ministério P√ļblico abriu um inquérito ao ministro angolano da Energia, Jo√£o Baptista Borges, por suspeitas de branqueamento de capitais dando conta de uma investiga√ß√£o que envolve o governante e membros da sua fam√≠lia em alegados negócios il√≠citos ligados ao setor da energia.

Um caso ainda mais mediático foi o processo judicial relativo a Manuel Vicente, ex-vice-presidente angolano e "patrão" da Sonangol que se transformou num "irritante" na relação entre Portugal e Angola.

Fonte: LUSA

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