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Ex-ministro das Finanças: "O FMI sempre provocou conflitos sociais onde quer impor regras"

Arlindo Sicato, antigo vice-ministro das Finanças angolano, critica a posição do Governo que segue à risca às orientações do Fundo Monetário Internacional, em relação o alargamento dos impostos e as respectivas taxas, que segundo o mesmo são realizadas sem se ter em conta o contexto das famílias angolanas.

Por Teresa Cabari em 06/05/2021 às 13:10:24
Arlindo Sicato, antigo vice-ministro das Finanças

Arlindo Sicato, antigo vice-ministro das Finanças

O antigo governante angolano fez estes comentários durante uma entrevista cedida ao Valor Económico, na passada terça-feira, dia 04 deste mês. Face às opções adoptadas, Arlindo Sicato considera haver falta de sensibilidade por parte dos governantes que acatam as exigências do FMI sem olhar para a realidade social da maioria dos angolanos.

"Uma coisa é estudarmos a teoria financeira ou económica no estrangeiro com recomendações possíveis do FMI, outra coisa é ajustar essas teorias à nossa realidade. O FMI orienta que devem ser suprimidos os subsídios aos combustíveis, à electricidade e á água. Qual é o nível de rendimento das famílias? É ali onde está o problema. E se agregarmos despesas com a educação e a saúde ninguém tem capacidade para tanto" disse Arlindo Sicato.

Visitando mitigar as dificuldades que as famílias vivenciam, o antigo governante apelou a "revitalização urgente de alguns sectores nacionais" que, segundo o mesmo, de alguma forma estão a ser negligenciados.

No caso da Agricultura, por exemplo, Arlindo Sicato considera que "estamos a transformar o campo com betão. Estamos a fazer palácios no campo. Em vez de nos dedicarmos à agricultura, dedicamo-nos mais ao turismo. Quando o indivíduo diz que tem uma fazenda, aquilo é mais uma vila turística para passar os fins-de-semana com amigos. Temos de ter aproveitamento rural como acontece lá fora. Aqui se temos o campo, o tractor não tem assistência, porque o operário não tem qualificação", sublinhou.

Desemprego

Destacando a questão do desemprego e os valores exagerados na cesta básica, o antigo vice-ministro disse que não quer uma governação televisiva, mas sim uma governação prática. Lamentou o elevado número de pobreza e a taxa do desemprego que ronda aos 45% repartido entre os jovens dos 18 e 25 anos de idade.

"Veja que o nível de vida está a subir a cada dia... Se convertermos as riquezas naturais em activos que vão gerar fundos para financiar o sector produtivo, rapidamente poderemos ultrapassar essa situação. Se a exploração de diamantes, de ferro em Kassinga, ou mesmo a exploração do ouro no sul do país na Huíla e no Huambo, for feita de forma oficial com empresas que depois vão vender esse ouro a instituições do Estado, teremos grandes rendimentos...", destacou Arlindo Sicato, que integrou o Governo em 1999 indicado pela UNITA, no quadro do Governo de Unidade e Reconciliação Nacional.

O gestor de formação sugeriu ainda que o melhor para Angola seria a aposta nalgumas "riquezas naturais para que, com os recursos dali provenientes, investirmos na indústria. O que abunda aqui é o investimento no sector terciário, nos serviços. Compra aqui e vende ali. Isso não produz valor acrescentado. O que muda a vida das pessoas são os sectores que empregam mais pessoas até mesmo não qualificadas. Refiro-me à agricultura, à indústria e à construção civil. Aqui mesmo pessoas sem o ensino médio podem encontrar emprego. Na construção, para fazer massa, não é preciso ter muita qualificação académica", apontou.

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