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Alemanha coloca AfD, o partido de extrema-direita, sob vigilância

É a primeira vez na história do pós-guerra na Alemanha que um partido com representação parlamentar é sujeito a este tipo de escrutínio e visto como uma ameaça à democracia. Mas começa a haver uma tendência nas democracias ocidentais para agirem no sentido de isolar estes grupos extremistas.

Por Administrador em 04/03/2021 às 07:46:10

O partido da extrema-direita alemã, AfD (Alternativa para a Alemanha), que nas eleições de 2017 na Alemanha obteve 13% dos votos, está sob vigilância.

A decisão permite à agência de inteligência interna colocar sob escuta os telefones e outras comunicações e monitorar os movimentos de membros do partido de extrema direita, que não apenas tem assento no Parlamento Federal, e se inicialmente acantonado numa região, tem vindo a consolidar a sua influência em todo o país.

É um dos esforços mais sérios e consequentes de um país para lidar com a ascensão de movimentos políticos de extrema direita e neonazistas dentro das democracias ocidentais. Muitos são os países que falam em criar "cordões sanitários" para isolar estas forças mais extremistas. A Alemanha dá agora passos muito concretos nesse sentido.

Mas também a França vai pelo mesmo caminho, também esta semana, as autoridades francesas decidiram banir o Generation Identity, um movimento juvenil considerado perigoso pela sua reformulação de conceitos neonazis.

No Parlamento Europeu, em Bruxelas, os eurodeputados forçaram o Fidesz, o partido autoritário de Viktor Orban, a deixar o ERC – o grupo dos conservadores e reformistas.

Por causa do passado nazi e do facto de que Hitler ter chegado ao poder pela via democrática, para logo eliminar a democracia, a Alemanha projectou as suas estruturas políticas do pós-guerra com salvaguardas que possam proteger o país da ascensão de forças políticas extremistas, em particular, eventuais forças neonazis, que poderiam, uma vez mais, usurpar a democracia por dentro. Entres esses mecanismos estão o Bureau Federal de Protecção à Constituição, que tem como missão usar mecanismos de alerta precoce ao menor sinal de ameaça à Constituição e à democracia.

E tudo isto é ainda mais importante porque o país vive um ano eleitoral que, seja como for, trará sempre uma transformação significativa, a chanceler Angela Merkel vai deixar o poder na Alemanha ao fim de 16 anos consecutivos do cargo.

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