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Ex-BESA ameaça contas do Novo Banco

Os 72 milhões de euros que o Banco Económico devia pagar ao Novo Banco não foram pagos e o Fundo de Resolução pode ter que pagar essa dívida.

Por Administrador em 27/11/2020 às 14:01:55
Ex-BESA ameaça contas do Novo Banco

Ex-BESA ameaça contas do Novo Banco

O antigo Banco Espírito Santo Angola (BESA), hoje Banco Económico, falhou o prazo para a liquidação de parte de um dos empréstimos que recebeu do Novo Banco em 2014, no âmbito das medidas de saneamento que Angola implementou após a resolução do BES, escreve o Expresso. E este é um dos créditos do banco português que está protegido pelo mecanismo que pode obrigar a capitalizações do Fundo de Resolução.

O Banco Económico, de que o Novo Banco tem 9,7% do capital, devia ter pago 20% do crédito de 425 milhões de dólares (€358 milhões, ao câmbio atual) que contratou há seis anos, ou seja, 85 milhões de dólares (€72 milhões), até ao final do passado mês de Outubro. Fontes contactadas pelo semanário português garantem que a quantia não foi paga.

O Banco Económico que tem a Sonangol como principal acionista, adiantou ao jornal português que "foram liquidadas todas as prestações de juros sem incidentes reportados e está em pipeline o pagamento da primeira prestação do capital, mais juros, de cerca de 90 milhões de dólares, que, por razões administrativas, serão apenas liquidados no decurso desta semana". Já o Novo Banco não quis fazer comentários.

Este foi um empréstimo constituído em 2014, reaproveitando, parcialmente, uma parte da linha de crédito de €3,4 mil milhões que o BES tinha para o BESA (e que foi transferida, na resolução de Agosto daquele ano, para o Novo Banco), por determinação do regulador angolano, o Banco Nacional de Angola (BNA).

Ao Expresso uma fonte do BNA disse que "o Banco Económico ficou com a obrigação de pagar e deveria já ter liquidado a prestação ¬anual que venceu em outubro".

"A situação de liquidez do Banco Económico é conhecida, o Novo Banco é acionista do Banco Económico e está por dentro das limitações, mas temos a indicação de que o pagamento será honrado", acrescenta ainda a fonte do regulador angolano.

No relatório e contas de 2018 (não está disponível o documento referente ao último ano), o Banco Económico salienta ainda, em relação a este empréstimo subordinado, "a possibilidade de conversão futura em capital social, até ao final do prazo de reembolso, desde que a participação do titular do empréstimo se mantenha abaixo dos 19,99%". Sobre este tema, o banco liderado por António Ramalho também não fez comentários. Lemos ainda na mesma notícia.

Desde 2017, quando o Novo Banco passou para a esfera do grupo americano Lone Star, a exposição ao Banco Económico deixou de ser referida nos relatórios e contas. Até aí, surgia identificada e explicada como "aplicação em instituição de crédito no estrangeiro", rubrica em que, em 2019, o nível de perdas por imparidades reconhecido era de €77 milhões.

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