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Isabel dos Santos alvo de queixa de três bancos em Portugal

O Novo Banco, o BCP e a Caixa Geral de Depósitos, avançaram nessa quarta-feira,18, com duas acções de execução sobre a empresa Winterfell 2, a sociedade de Malta controlada por Isabel dos Santos, com a qual a empresária detinha a maioria do capital da Efacec, uma companhia que está a ser nacionalizada pelo Estado português.

Por Antunes Zongo e Horácio Bapolo em 19/11/2020 às 09:47:05
Isabel dos Santos alvo de queixa em Portugal

Isabel dos Santos alvo de queixa em Portugal

De acordo com o jornal Expresso, o objectivo das três instituições financeiras portuguesas, é o de assegurar o direito à futura indemnização da nacionalização da Efacec, dado que a empresária angolana adquiriu a empresa, que agora passa para o Estado português, com recurso a créditos concedidos pelas referidas entidades financeiras, e outras que ainda não se pronunciaram.

Numa das acções apresentadas pelos três bancos, estão em causa 18,5 milhões de euros. Na outra acção, que junta apenas o Novo Banco e o BCP, o valor é de 10,3 milhões de euros, diz o Jornal Expresso que sita o portal Citius.

O valor em disputa é muito próximo do valor com que estas três instituições financeiras financiaram em 2015 a Winterfell 2 para a compra da Efacec.

De referir que Isabel dos Santos comprou a Efacec por 195 milhões de euros, numa altura em que a empresa estava financeiramente em ruína, e à beira da falência.

Entretanto, a entrada de Isabel dos Santos foi determinante para a melhoria da performance da empresa. A Winterfell de Isabel dos Santos entrou na estrutura accionista da Efacec precisamente em 2015, ano em que a empresa teve prejuízos de cerca de 20 milhões de euros e era o terceiro ano consecutivo de resultados negativos.

Essa tendência negativa habitual foi interrompida em 2016, sendo que nesse ano a Efacec obteve lucros de 4,3 milhões de dólares. Em 2017, a empresa voltou a registar resultado positivo com saldo de 7,5 milhões de euros, tendo em 2018 passado para 14,1 milhões de euros.

Com a Isabel dos Santos, a empresa passou a investir mais na mobilidade eléctrica, tendo, em 2018, inaugurado novas instalações, com a intenção de atingir uma produção em larga escala de unidades de carregamento rápido. Como resultado, de acordo com os dados disponíveis, triplicou a produção de carregadores rápidos e ultra-rápido e lançou novos projectos como soluções de carregamentos com armazenamento incluído.

Face a esse investimento, ainda em 2018, a empresa registou um crescimento de 100% neste segmento de negócio para 36 milhões de euros, face aos 17 milhões de euros do período homólogo.

Apesar de todos estes esforços, a empresária angolana, que passou a deter 71,73% do capital da empresa, acabou por ver a participação ser nacionalizada pelo Estado português, que justificou a operação com o alegado facto de ter havido uma situação de "grande impasse" entre os accionaistas, provocada pelo arresto na sequência do escândalo Luanda Leaks.

No entanto, a empresária angolana recusou-se a aceitar a justificativa do governo português para nacionalizar a empresa. Isabel dos Santos classificou a acção de Portugal como uma "nacionalização forçada", que segundo a mesma, resultou apenas de "vontades políticas".

Isabel dos Santos sublinhou ainda que não havia impasse nenhum entre os sócios, dado que o processo de venda de sua participação já estava "concluída" desde Março deste ano.

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