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Pressão das ruas vai manter-se, nova manifestação marcada para 11 de Novembro

Presidente João Lourenço pode estar a atravessar a maior crise do seu primeiro mandato, e a forma como a resolver pode determinar como será o segundo: a paz social ou o caos.

Por Administrador em 02/11/2020 às 09:30:05

Há uma clara percepção que o MPLA e a UNITA voltaram à guerra, desta vez sem armas mas de palavras e acusações mútuas, sendo que no plano das acusações, o líder do MPLA colocou-se na linha da frente, através de um discurso duro e com um destinatário muito claro: a UNITA, na última reunião do Comité Central do partido, na semana passada, e enquanto prosseguia o julgamento dos activistas presos na manifestação de 24 de Outubro.

Virgílio Fontes Pereira, um político e académico reputado, ligado ao MPLA, em declarações ao semanário Expresso, referia-se à manifestação de 24 de Outubro, em Luanda, como "uma manifestação das relações equivocadas entre o Estado e a sociedade civil". A mesma notícia, admitia que se está "diante da maior vaga de protestos ocorrida no país depois de José Eduardo dos Santos ter abandonado o poder".

Passados alguns dias, percebe-se que a visita de Isaías Samakuva ao Palácio da Cidade Alta, por iniciativa do Presidente da República, não acrescentou muito, para não dizer que subtraiu alguma coisa ao que se pretende com diálogo entre o partido do poder e o maior partido da oposição.

Temos assistido que na esmagadora maioria dos países democratas, e em tempo de pandemia, todos dos elementos da Nação são chamados a intervir para o bem-comum, com auscultação e diálogo. A ideia do Presidente até podia ser bem-intencionada, e como escreve o Expresso, na audiência o Presidente pediu a Samakuva para "serenar os ânimos dos dirigentes da UNITA para conter os jovens, para que não haja mais tentativas de manifestações".

Mas quem controla os jovens que não são da UNITA, é a pergunta que se segue. Quem controla "uma revoltada legião de "novos Luatys", sendo que o original, Luaty Beirão, usou uma expressão quase violenta para se referir àqueles que usaram da repressão contra os manifestantes, nada mais, nada menos do que "filhos da p***". Quem promoveu a manifestação, e podemos ver o que escrevem nas redes sociais, tudo tem feito para se distanciar da UNITA e dos partidos tradicionais e para sublinharem que agem de modo próprio.

O tradicional discurso de ódio contra a UNITA ainda pode ser uma arma de propaganda e manipulação eficaz – e prova disso mesmo é o recente caso David Mendes, deputado independente eleito nas listas da UNITA que criticou o partido, foi ameaçado e que agora se desvincula da UNITA, mantendo-se na Assembleia Nacional, não tendo directamente a ver com o caso, tem tudo a ver -, mas há muito mais que o Governo tem de controlar e não controla.

Não bastam os trolls ou os bots das redes sociais a fazerem a contrainformação. Sem trabalho e sem perspectivas de vida os jovens estão sem nada a perder. Perder a vida em protesto por melhores condições para si e para os outros passa a ser quase irrelevante.

Na manifestação do passado dia 24 de Outubro morreram duas pessoas - o que o Governo teima em não reconhecer. Quantas pessoas precisam de morrer em outras manifestações para que o Governo as admita e para que, enfim, dialogue com os jovens e a com sociedade civil.

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