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Morte de Sindika Dokolo ou uma teoria da conspiração em apneia

Um experiente mergulhador português, que já mergulhou nas águas do Dubai, conta como se pode morrer por blackout (síncope cardíaca) durante mergulho em apneia.

Por Administrador em 02/11/2020 às 05:34:34

Ricardo Germano, um mergulhador português de 49 anos – quase a mesma idade de Sindika Dokolo, que morreu no passado dia 29 de Outubro, no Dubai, aos 48 anos – e que pratica mergulho há 16 anos, explicou à revista portuguesa Sábado como se pode morrer na sequência de um mergulho em apneia, isto numa altura em que meio mundo anda entretido com teorias da conspiração, também devido a um comentário nas redes sociais de Ana Gomes, candidata à presidência da República em Portugal - "Estranho, muito estranho", escreveu ela.

As águas do Dubai são das mais quentes do mundo, com temperaturas entre os 27.º e 30.º e boas visibilidades (superiores a 20 metros), escreve a Sábado, e apesar das condições ideais para mergulho, foi lá que Sindika Dokolo, marido da empresária angolana Isabel dos Santos, morreu durante a prática de mergulho em apneia. Sabe-se que Sindika morreu, mas a verdade é que não há uma fonte familiar ou em nome da família que tenha dado conta da causa da sua morte. Fala-se de embolia pulmonar ou de síncope cardíaca – e neste caso, a partir do que escreveu Michée Mulumba, assessor de Félix Tshisekedi, no Twitter.

Sabe-se que a família estava por estes dias no Dubai, uns falam do luxuoso condomínio Bulgari Apartments, outros na Almas Tower. E as primeiras notícias que se obtiveram foi que o empresário nascido a 16 de Março de 1972, em Kinshasa, e que casou com Isabel dos Santos em 2002, em Luanda, morreu afogado. Porque a morte tem tando de simples como de complexa, muitas são as teorias da conspiração que se têm vindo a desenvolver desde então.

Ricardo Germano, instrutor de mergulho - autónomo e livre, ou seja, sem recurso a instrumentos de auxílio de respiração subaquática - em Sesimbra, aponta como causa mais provável: síncope cardíaca. Também designada de blackout, ou apagão de águas rasas, consiste na perda de consciência devido ao nível baixo de oxigénio no cérebro. "Em mergulho livre correria risco de blackout. É por causa deste blackout que se deve mergulhar com um parceiro. Porque se a pessoa desmaia, afoga-se por não ser trazida à superfície rapidamente ", explica à Sábado. Ricardo Germano já mergulhou no Dubai, que quase não tem ondas e que, em comparação a Sesimbra (de visibilidades reduzidas entre dois a três metros), "é bastante mais tranquilo".

Desconhece-se o historial clínico de Sindika Dokolo, mas partindo do princípio que era um homem saudável e praticante de mergulho livre (ou de apneia, que significa suster a respiração e tentar ir ao fundo) poderá ter excedido o tempo na subida à superfície.

Por vezes, deslumbram-se lá em baixo com os peixes, corais ou eventual captura de um troféu e adiam a decisão de subir, prossegue Ricardo Germano, nas suas explicações à Sábado: "o apneísta sente-se confortável e relaxado lá em baixo. Para quem pratica a modalidade, o yoga é extraordinário para aumentar os tempos na descida. O problema surge na subida, pela diminuição rápida e drástica da pressão ambiente" e é então que se pode dar o apagão.

O mergulho em apneia é de baixo risco, desde que praticado com algum conhecimento. Porque quando o cérebro manda subir à superfície é difícil contrariá-lo, ou seja, ultrapassar os limites. Também não implica grande preparação física; nem formação e certificação para a prática, ainda que seja recomendável.


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