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Corrupção leva a uma vaga de demissões no governo e de altos quadros das forças armadas ucranianas

Um crescente escândalo de corrupção está a levar a um razia de demissões de altos quadros militares, incluindo governadores de várias regiões ucranianas.

Por CSP em 24/01/2023 às 09:52:38
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Vários altos funcionários ucranianos foram demitidos esta terça-feira, incluindo os governadores de várias regiões do país, devido a um crescente escândalo de corrupção.

A situação é das mais perturbadoras para o presidente Volodymyr Zelensky, desde o início da invasão russa, há 11 meses.

As demissões foram anunciadas no Telegram e não dão detalhes sobre o motivo, mas seguiram-se a relatos de que os militares ucranianos concordaram em pagar preços inflacionados por alimentos destinados aos combatentes nos campos de batalha.

Ministério da Defesa da Ucrânia disse que Viacheslav Shapovalov, vice-ministro, "pediu para ser demitido" após as notícias da imprensa do país. A mesma entidade acrescentou que ao afastar Shapovalov de suas funções se "preservará a confiança" dos ucranianos e dos parceiros internacionais.

Embora não haja sinal de que o escândalo envolve a apropriação indevida de assistência militar ocidental, as demissões parecem reflectir o objetivo de Zelensky de tranquilizar os aliados da Ucrânia - que estão a enviar milhões e milhões de dólares em ajuda militar - e que seu governo tem tolerância zero para subornos e outras formas de corrupção.

Entretanto, Moscovo prepara uma eventualmente ofensiva, ainda mais agressiva, para a Primavera.

Além dos funcionários militares, o vice-chefe do gabinete do Presidente Zelensky, Kyrylo Tymoshenko, também apresentou a demissão.

Tymoshenko era relativamente conhecido porque era ele que frequentemente fornecia as atualizações sobre a guerra.

Os jornalistas ucranianos começaram a levantar questões sobre seu estilo de vida luxuoso e uso que estava a fazer de recursos do governo. Em particular, foi criticado num SUV topo de gama que a General Motors doou para uso em missões humanitárias.

A Ucrânia lutava para controlar a crescente corrupção muito antes da invasão. Mas, para muitos ucranianos, o sentimento de luta comum e unidade durante a guerra torna particularmente irritante a ideia de que altos funcionários possam estar a minar o esforço colectivo do país para benefício próprio, especialmente se a corrupção envolver os militares.

No fim de semana, um jornal ucraniano noticiou que o Ministério da Defesa comprou alimentos a preços inflacionados, incluindo ovos a três vezes o valor de custo. O ministro da Defesa, Oleksii Reznikov, chamou as alegações de "tolice absoluta" e produto de "informações distorcidas".

Em declarações esta terça-feira, o ministério enfatizou que as "acusações expressas são infundadas e sem fundamento", mas chamou o pedido de demissão de Shapovalov de "um acto digno nas tradições da política europeia e democrática, uma demonstração de que os interesses da defesa são superiores a quaisquer armários ou cadeiras."

O facto de Shapovalov ter demorado três dias para deixar o cargo levanta sérias questões sobre o compromisso do Ministério da Defesa em erradicar a corrupção, disse Vitaliy Shabunin, director de operações do Centro de Ação Anticorrupção, uma organização não governamental com sede em Kyiv.

"Um novo contrato social surgiu durante a guerra entre a sociedade civil, os jornalistas e o governo: não iremos criticá-lo como fazíamos antes da guerra, mas sua reacção a qualquer escândalo e ineficácia deve ser o mais dura possível", disse Shabunin, que acrescentou: "a posição do ministro da Defesa quebrou este acordo."

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