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Há pessoas nas forças de segurança que querem a mudança e reformas para o país, diz Costa Júnior

Na continuação da entrevista ao semanário português Sol, Adalberto Costa Júnior diz que Angola vive uma ditadura que se agravou depois das eleições gerais de 24 de Agosto

Por Cisola Silva Pontes em 21/01/2023 às 10:21:07
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Adalberto Costa Júnior na sua entrevista ao semanário Sol não falou só da UNITA, falou também do MPLA de João Lourenço, que não é, definitivamente o mesmo, mas, no essencial, o regime não mudou, e até endureceu depois das eleições gerais de 24 de Agosto de 2022.

"Houve órgãos de defesa e segurança que colaboraram com a UNITA", disse Costa Júnior, para acrescentar "o que significa que nem toda a gente acompanha a história de que o regime actua todo da mesma maneira. Há pessoas nas forças de segurança que querem a mudança e reforma para o país. A prova disso é o resultado obtido pelo MPLA nas mesas de voto no bairro onde se situa a presidência, não ganhou em nenhuma delas".

Adalberto Costa Júnior voltou a dizer que lamenta tenha feito uma campanha eleitoral sem debater com o chefe de Estado, dado que o incumbente, apesar de candidato não aceitou colocar-se nessa posição e debater com os líderes dos partidos da oposição, concretamente com o líder do maior partido da oposição e alternativa de poder, algo que considera que "não é digno de uma democracia".

O presidenta da UNITA lembrou que o presidente do MPLA e Presidente da República pediu uma vitória expressiva para o seu partido, de cerca de 80% dos votos expressos nas urnas, não a conseguiu, e o MPLA como se sabe tem o resultado mais baixo de sempre, o que é relevante porque "foi o fim dos dois terços dos deputados do MPLA no parlamento", sublinhou Costa Júnior, e acrescentou "a partir de agora, qualquer revisão da Constituição tem de ser feita com acordos políticos. Essa é a grande diferença entre o antes e o depois das eleições (de 24 de Agosto de 2022)".

Adalberto Costa Júnior referiu ainda o facto da Constituição ter sido alterada antes das eleições de 2022 "sem qualquer debate, de modo a reforçar os poderes do Presidente e reduzir os aspectos democráticos. Mudou a lei eleitoral, a lei de imprensa, mudaram todas as leis que tivesse incidência no controlo das eleições.

"Apelámos para o Supremo Tribunal, Procuradoria, Comissão Nacional Eleitoral e Tribunal Constitucional e todos fizeram tábua rasa do nosso pedido", disse ainda Costa Júnior.

Admitiu que ponderou a não participação nas eleições e que colocou "cinco condições: afixação das listas provisórias do registo eleitoral; auditoria ao ficheiro dos cidadãos votantes; afixação antecipada dos cadernos eleitorais; obrigatoriedade da UNITA ter fiscais em todas as mesas de voto e afixação dos resultados eleitorais nas assembleia de voto", como sabemos, não aconteceu nada disto, pelo menos nestes termos e em alguns casos não aconteceu de todo, embora tenha destacado a existência do movimento "votou, sentou".


A entrevista na íntegra aqui.


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