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MPLA e UNITA fazem leituras diferentes sobre o papel mediador de Angola

O MPLA, naturalmente, apoia e "congratula-se" com o papel do Presidente João Lourenço no conflito entre a RDC e o Ruanda. A UNITA é, naturalmente, mais crítica e diz que não há "autoridade política e moral para mediar conflito" de outros países quando o Presidente da República não consegue resolver o conflito em Cabinda.

Por Cisola Silva Pontes em 23/11/2022 às 09:27:03
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A UNITA diz que a cimeira entre o Ruanda e a República Democrática do Congo (RDC), que traz a Luanda os presidentes dos respectivos países a convite do Presidente João Lourenço, é "mera propaganda política" de um país "não tem autoridade política e moral para mediar conflitos.

"É mera propaganda política para acolher cimeiras, porque o conflito está longe de ter solução", disse o líder do Grupo Parlamentar, Liberty Chiyaka, ao Novo Jornal.

Para o deputado e líder da bancada do maior partido da oposição não faz sentido o Presidente da República João Lourenço continuar a mediar conflitos na região dos Grandes Lagos, enquanto em Angola há também uma guerra na província de Cabinda.

"Aqui mesmo, em Luanda, os cidadãos são violentados, são assassinados e ameaçados. Um pai deixa de tratar os seus filhos e vai cuidar de outra casa. Não deveríamos agir assim, porque em Cabinda ainda há guerra", disse Liberty Chiyaka.

Ainda em declarações ao jornal, e sobre o mesmo assunto, o director executivo do Instituto Angolano de Sistemas Eleitorais e Democracia (IASED) e coordenador do Observatório Eleitoral Angolano (OBEA), Luís Jimbo, considera que a falha no processo de negociação é sobretudo da responsabilidade dos envolvidos no conflito, no caso o Ruanda e a RDC.

"O actual processo para a paz na RDC deveria engajar faseadamente um esforço de negociação genuíno, primeiramente, entre as Forças Armadas da RDC e o M23 para um cessar-fogo, a desmilitarização e integração do M23 sob liderança e iniciativa do Governo da RDC. Seguidamente, entre os governos da RDC e do Ruanda para gestão e controlo das fronteiras, das migrações, dos recursos naturais e das questões culturais e étnicas dos Povos na região fronteiriça sob liderança e iniciativa da União Africana", disse Luís Jimbo.

"A RDC é um gigante da África Central com dimensão continental, já o Ruanda é um território com uma dimensão reduzida, havendo recursos no território em zonas com população que partilha a história e língua com outra parte, exige muita compreensão e respeito pela soberania de cada Estado", disse, e também em declarações ao Novo Jornal, o ex-deputado do MPLA, João Pinto, que considera que o papel de Angola é fundamental pela sua experiência de ter feito uma transição pós um conflito exemplar.

"Cada Estado ou região tem conflitos diversos, em Angola houve um fim de conflito e houve disciplina das Forças Armadas Angolanas formadas no âmbito dos acordos de paz e, superadas as questões ideológicas e subjectivas, tudo foi possível", disse João Pinto, que acrescenta que Angola deve continuar a procurar a aproximação entre as partes, pois a instabilidade da RDC afecta o País e a região.

"A paz faz-se com boa vontade e compromisso com as normas celebradas e a sua violação deve implicar isolar e sancionar quem prevarica, isolando-o, claro, que é o que diz o capítulo VII da Carta das Nações Unidas. Acho que devemos buscar a paz com a sabedoria, pois com ela superamos", disse ainda João Pinto.

Adebayo Vunge, director de comunicação institucional do Ministério das Finanças, académico e escritor, escreveu no Jornal de Angola um artigo de opinião em que argumenta que "o recrudescimento do conflito na RDC, nos últimos meses, faz ressuscitar as correntes que defendem uma solução baseada na fractura do país, ignorando assim a partilha de África ocorrida na conferência de Berlim e as fronteiras herdadas do colonialismo, aceites sob as convenções da União Africana. Quando se olha a fundo as reivindicações do M23, fica subjacente essa intenção. A existência de elementos da etnia tutsi na região do Kivu Norte tem sido o pretexto da evocação de um antigo reino único naquela zona e a sua reaproximação ao Ruanda e Uganda poderá ser um passo nessa direcção, e daqui a acusação do envolvimento dos países limítrofes no apoio àquele e outros movimentos insurgentes. Para já, vale o esforço e a vocação do peace maker que Angola assume, desde Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos, agora também no mandato de João Lourenço que não poupa esforços para devolver a paz e a estabilidade naquela região".

E acrescenta que "se em termos políticos e diplomáticos Angola assume desse modo um papel importante no continente, o mesmo racional é válido em termos económicos. Angola tem um interesse particular para que a RDC esteja em paz e estável na medida em que a sua aposta no corredor do Lobito pode ser condicionada em termos de resultados ao que se passar ali".

Também o Bureau Político do MPLA se congratulou, esta terça-feira, 22 de Novembro, com a intensa actividade diplomática recentemente realizada pelo Presidente João Lourenço, com pendor de mediação dos conflitos que assolam determinadas regiões do continente africano, com realce para os que opõem o Ruanda e a República Democrática do Congo (RDC).

O Bureau Político do MPLA incentivou João Lourenço a persistir nesta senda, perspectivando a manutenção da estabilidade na região.

Luanda vai receber a cimeira para aprovação do Plano de Acção da Paz na República Democrática do Congo, com as presenças previstas dos Presidentes Paul Kagame, do Ruanda, Félix Tshisekedi, da República Democrática do Congo, Évariste Ndayishimiye, do Burundi, e o antigo Presidente da República do Quénia, Uhuru Kenyatta.

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