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Adalberto Costa Júnior diz que Angola viveu os últimos três anos num ambiente de terrorismo de Estado

O líder da UNITA, disse esta sexta-feira, em Viana, que Angola viveu, nos últimos três anos, um "ambiente de terrorismo de Estado, completamente antidemocrático", pede para que haja uma maior normalização do acto eleitoral e que não se façam campanha de mais de um ano que acabam por paralisar o país.

Por CSP em 18/11/2022 às 10:55:58
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Adalberto Costa Júnior discursou na abertura da II reunião ordinária da Comissão Política da UNITA, que decorre em Viana, entre esta sexta-feira e amanhã, sábado, e aproveitou para se referir às eleições gerais de 24 de Agosto, mas, também, para fazer uma reflexão sobre as implicações da eleições no processo democrático angolano.

"Nós estamos a dizer isto para não se repetir, para iniciarmos uma outra página da convivência, de diálogo, afinal, somos filhos do mesmo país, somos angolanos, pretendemos o bem de Angola e não faz sentido acirrar os ânimos, quando se tem uma eleição que afinal é cíclica, é regular, vai acontecer muitas vezes, e nós precisamos fazer diferente, mas não podem ser discursos apenas, tem que ser práticas e factos", disse Adalberto Costa Júnior, citado pela Lusa.

"As eleições de Agosto último, praticamente tiveram uma pré-campanha de quase um ano e meio, o país viveu quase exclusivamente com foco nas eleições durante uma parte substantiva de 2021 e durante todo o ano de 2022", disse o líder da UNITA que considera que estas acções, que prolongam desta forma no tempo, acabam por paralisar o país.

E prosseguiu, "temos que normalizar o funcionamento das instituições e da nossa própria vida, temos que olhar para os processos eleitorais como circunstâncias cíclicas e normais e não como algo extraordinário, as eleições vão ocorrer nos níveis e nos formatos comuns, dentro e fora das instituições e elas são boas, porque permitem renovação, porque não é bom quando se permanece muito tempo na interpretação de funções, ganham-se vícios e perde-se sensibilidade", disse o número um do Galo Negro.

De acordo com Adalberto Costa Júnior "os últimos três anos foram anos de um conflito sem limites, sem regras, sem normas, sem parâmetros democráticos, desadequados a um Estado democrático e de direito, desadequados aos valores constitucionais, que estão bem respaldados na Constituição da República e nas leis da República de Angola", disse.

Apesar do quadro descrito, Adalberto Costa Júnior disse que as eleições correram bem, assim como a campanha eleitoral, mesmo com "muitos incidentes". "Diria mesmo que houve incidentes em todos os actos da campanha (...) nós soubemos contorná-los e passar a mensagem de festa e de esperança".

E ainda sobre as eleições gerais de 24 de Agosto, o político disse que "trouxeram uma mensagem poderosa para todos, não só para o regime". "Estas eleições marcaram uma diferença substancial com todas as anteriores. Estou seguro de que os angolanos desta vez mandaram uma mensagem para dentro dos partidos políticos, também para nós, estas eleições não foram as tradicionais eleições de contexto histórico emocional, acabou esse tipo de votação", disse Adalberto Costa Júnior.

"Os angolanos foram votar em função do programa e em função das lideranças e das propostas políticas, desta vez nós sentimos mais do que antes, indiscutivelmente mais, de que votaram naqueles programas que podiam realizar o seu sonho e a sua dignidade e votaram massivamente. Houve deslocação histórico emocional nestas eleições, é indiscutível", acrescentou.

O líder da UNITA lamentou o ambiente pós-eleitoral "cheio de ameaças, de prisões, que atingiram um pouco transversalmente a sociedade".

"Não atingiram apenas os partidos políticos, atingiram também os activistas cívicos, o cidadão. Temos o caso de um companheiro nosso agredido, a esposa com os braços cortados várias vezes por facas quentes", citou Adalberto Costa Júnior, referindo-se ao caso, ocorrido em Setembro, com o jornalista da Rádio Despertar, ligada à UNITA, Emanuel "Cláudio In", criticando o silêncio das autoridades.

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