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Marcos Souto considera que o programa de intervenção do FMI em Angola é um caso de sucesso

O representante do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Angola, Marcos Souto, recomendou ao Governo que "não se renda no incentivo de gastar mais do que se pode ou se endividar mais do que se deve",

Por Administrador em 17/11/2022 às 14:22:33
Marcos Souto, representante do FMI em Angola

Marcos Souto, representante do FMI em Angola

Marcos Souto, que participou em Luanda na terceira edição do "Briefing Económico 2022", do Standard Bankl Angola (SBA), em que fez parte de um painel com o tema "Iniciativa para a Transformação Económica em Angola", fez diversos avisos à navegação económica do país.

Apesar do rádio da divida relativamente ao PIB ter sido "reduzido drasticamente", o nível de endividamento do país "ainda é elevado" e "consome grandes recursos", alertou o representante do FMI em Angola.

Marcos Souto vai um pouco mais longe, aconselha "prudência fiscal" e que o alívio com o serviço da dívida possa ser usado "para o investimento na educação, saúde e em outros sectores".

"É muito importante percebermos que Angola durante o programa apoiado pelo FMI implementou uma série de reformas muito importantes, muito difíceis e o fez durante um período que foi particularmente desafiador", apontou Souto, que referiu que uma dessas grandes reformas "foi no sentido de atingir uma estabilidade macroeconómica, isso é muito importante porque sem essa estabilidade macroeconómica não se consegue avançar de uma forma sustentável e inclusiva", e de passagem elogiou o Executivo por uma série de reformas efectuadas.

E usou mesmo expressões como "transformação económica" e "diversificação económica" ou ainda "crescimento económico" e falou de "iniciativas no sentido de controlar os gastos públicos, no sentido de liberar o câmbio e reforma também na alçada estrutural".

Marcos Sousa lembrou que o programa de intervenção do FMI em Angola terminou em Dezembro de 2021, destacando que para a instituição de Bretton Woods foi "um caso bem-sucedido", e que a questão agora é "olhar em frente".

Em relação à atual política monetária do país, o representante do FMI referiu que embora nos últimos meses tenha havido uma "redução significativa" da inflação, "ajudada" pela apreciação do kwanza e a depreciação do dólar, "ela ainda é razoavelmente alta".

"Os últimos números apontam para 16,8% e essa não é uma inflação baixa, mas mais importante do que isso nós ainda temos muitas incertezas dos cenários da economia global", disse Marcos Souto, que, e inevitavelmente, não deixou de falar na invasão da Ucrânia e no mais recente incidente do conflito, a queda de um míssil na Polónia, para sublinhar o tempo de incerteza em que vive a economia numa escala global.

"As incertezas ainda existem e são grandes, e nós achamos que seria importante realmente ter a certeza de que essa inflação está num caminho de redução", disse Marcos Souto.

Falando do Banco Nacional de Angola e da sua política mais restritiva, Marcos Souto admitiu que "existe um crescimento do PIB do sector não petrolífero".

"Quer dizer que não nos parece que há aqui uma restrição em termos de política monetária sobre a actividade económica no sector não petrolífero", acrescentou, insistindo igualmente na necessidade da "contínua aposta" nas reformas estruturais, no Programa de Privatizações (Propriv), considerando que o Governo angolano "tem trabalhado proactivamente nessas reformas".

Numa última nota disse que é importante continuar a reestruturação dos bancos para salvaguardar a estabilidade financeira, considera, deixando um alerta: "embora tanha havido uma diminuição do crédito malparado pensamos que é um tema que precisa de ser visto com cautela".

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