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A estrada de Adalberto a caminho do poder

O líder da UNITA é apontado como o sucessor de João Lourenço na presidência de Angola, em 2027. O caminho é longo e sinuoso. Para atingir este objectivo, Adalberto da Costa Júnior terá de resolver problemas que ele próprio criou.

Por Administrador em 21/09/2022 às 07:01:53
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Num artigo de opinião, no seu habitual espaço 'Radar África', no Jornal de Negócios, o jornalista português Celso Filipe escreve sobre o líder do maior partido da oposição, Adalberto Costa Júnior. Apresentamos aqui a sua análise na íntegra.

"O líder da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), Adalberto da Costa Júnior, promete ser uma dor de cabeça adicional para João Lourenço. (?) Acresce o facto de o líder da UNITA gozar de boa aceitação junto da elite, mesmo daquela que habitualmente tem sido próxima do MPLA, e de aceder facilmente aos meios de comunicação social. Neste quadro, emerge como alternativa para muitos eleitores que até agora, por convicção ou simples interesse, se mantiveram fiéis ao MPLA."

Estas observações foram feitas na edição do Radar África publicada a 11 de Fevereiro de 2020 e tem uma validade acrescida neste novo tempo marcado pelas eleições gerais de 24 de Agosto e um crescimento forte do partido do Galo Negro.

Os grãos na engrenagem

Adalberto da Costa Júnior transformou-se no putativo sucessor de João Lourenço, envolto na mesma aura da esperança deste quando chegou ao poder em 2017. Esse rótulo dá-lhe valor mas também acarreta desafios adicionais. Um deles encontra-se materializado na posição de Henrique Luaty Beirão: "Um político aceitar um mandato nestas condições é resignar-se à suspeição, à injustiça e, acima de tudo, aceitar que foi eleito, não pelo povo angolano mas pelo MPLA, pela CNE e pelo Tribunal Constitucional, consumando uma traição à vontade do povo angolano, o soberano, recusando-lhe o direito de ter a paz de, finalmente, ver os seus votos contarem, escreveu o ativista no Twitter.

A UNITA, com a sua persistência em lançar um anátema de suspeição sobre as eleições, colocou-se numa posição frágil. De um lado pressionada por figuras como Luaty Beirão, de outro, alertada pela comunidade internacional que não devia estimular pontos de vista que conduzissem a um clima de instabilidade social que descambasse em violência.

Outro grão na engrenagem que Adalberto da Costa Júnior tem de remover é o dos elos criados com a família dos Santos, em particular Tchizé dos Santos, cujo apoio à UNITA, manifestado de forma massiva através das redes sociais, é alimentado pelo desejo de vingança.

Neste particular, é claro que o presidente da UNITA não pode interferir nos atos de terceiros, mas também é evidente que se pode distanciar dos mesmos, algo que é fundamental para evitar a propagação de narrativas intriguistas que ponham em causa a sua reputação e a do partido. Além disso, é incongruente afirmar-se contra a corrupção e, em paralelo, não se desvincular da família de José Eduardo dos Santos, o ex-Presidente da República que o seu próprio partido sempre considerou como o facilitador desse tipo de práticas.

Estratégia em cinco pontos

Adalberto da Costa Júnior tem de gerir as expectativas que criou, tendo em consciência de que o seu estado de graça está sujeito à erosão.

Para tal é imperioso centrar a sua estratégia em cinco pontos: 1) assegurar a coesão interna do partido; 2) promover a criação de um grupo de reflexão com personalidades angolanas que ajudem o partido a definir prioridades numa futura governação do país; 3) enfatizar junto dos investidores estrangeiros de que a UNITA é favorável à economia de mercado; 4) criar um governo-sombra cujos ministros se reúnam com as personalidades e entidades mais relevantes da sua pasta; 5) por fim, exigir que as eleições autárquicas decorram daqui a três anos.

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