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Vladimir Putin falou ao país para pedir mais envolvimento no conflito ucraniano e pediu mais mobilização de tropas

Com os referendos nas regiões ocupadas, que passariam a ser formalmente territórios russos, Moscovo poderia falar de ameaça à integridade de territórios que lhe pertencem e ameaçar de forma mais séria com um ataque nuclear.

Por Cisola Silva Pontes em 21/09/2022 às 05:12:50
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O presidente Vladimir Putin anunciou ao país um acelerar no esforço da guerra, com uma nova campanha de mobilização de tropas, o que significa convocar mais de 300 mil soldados para os campos de batalha na Ucrânia, onde o exército russo tem sofrido baixas humilhantes para o seu poderio militar mais convencional.

Num raro discurso gravado à nação, Putin pediu uma "mobilização parcial" de quem tem experiência militar e acrescentou que os objetivos da Rússia na Ucrânia não mudaram e que a medida era "necessária e urgente" porque o Ocidente "cruzou todas as linhas vermelhas" ao fornecer armas sofisticadas à Ucrânia.

O discurso foi uma aparente tentativa de reafirmar sua autoridade numa altura em que o país está perante uma guerra cada vez mais caótica, que minou sua liderança, tanto interna quanto externa, e foi também uma forma de se dirigir a todos aqueles que na Rússia consideram que o Kremlin não está a fazer o suficiente e que o envolvimento na guerra deve ser total.

A seguir ao discurso do presidente russo, o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, anunciou a convocação de mais 300 mil pessoas, todas com alguma experiência militar, e acrescentou que os estudantes não seriam convocados para lutar e que nem os recrutas seriam enviados para a "zona de operações especiais", como o Kremlin se refere às regiões que ocupa, ocupou ou quer ocupar na Ucrânia.

O discurso de 20 minutos de Putin foi transmitido enquanto os líderes mundiais se reúnem em Nova Iorque para uma reunião da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em que muitos criticaram a invasão da Rússia.

E Putin, em Moscovo, responde criticando o Ocidente, que acusa de ter "ultrapassado todas as linhas" ao fornecer armas que permitem à Ucrânia atacar território russo e insistindo que o objectivo do Ocidente é "enfraquecer, dividir e eventualmente destruir" a Rússia.

Acusou ainda os Estados Unidos e a Europa de se envolverem numa "chantagem nuclear", mas alertou que a Rússia tem "muitas armas" para dar uma resposta.

"A quem se permite tais declarações sobre a Rússia, quero lembrar que nosso país também tem vários meios de destruição, e alguns componentes são mais modernos que os dos países da NATO", disse Putin, para acrescentar, "se a integridade territorial de nosso país estiver ameaçada, certamente usaremos todos os meios à nossa disposição para proteger a Rússia e nosso povo. Isso não é a sério."

Putin disse que seu principal objectivo de guerra - "libertar" a região de Donbass, no leste da Ucrânia - permanece inalterado e anunciou o seu apoio aos referendos anunciados na terça-feira, que fariam com que o território ucraniano ocupado se tornasse parte da Rússia.

"A Rússia não pode desistir de pessoas que vivem nas proximidades para serem dilaceradas por carrascos e deixar de responder ao seu desejo de determinar seu próprio destino", disse Putin, referindo-se aos ucranianos em território ocupado.

Na terça-feira, Moscovo pressionou no sentido de consolidar o seu domínio sobre o território ucraniano no leste e no sul, ao anunciar, repentinamente, referendos para que partes ocupadas da Ucrânia se unam formalmente à Rússia.

Representantes russos em quatro regiões - Donetsk e Luhansk no leste e Kherson e Zaporizka no sul - anunciaram os referendos ao longo de quatro dias a partir de sexta-feira. A Rússia controla quase todas as duas das quatro regiões, Luhansk e Kherson, mas apenas uma fração das outras duas, Zaporizka e Donetsk.

O agendamento das votações, que parecia coordenado, seguiu-se a avanços rápidos das forças ucranianas, que desbarataram os russos do nordeste nas últimas semanas e estão na ofensiva no leste e no sul. A Rússia tem vindo a perder milhares de soldados no terreno.

Embora Putin tenha tentado manter a normalidade no país desde a invasão, os recentes sucessos da Ucrânia fazem com que a sua posição esteja em causa, e seu último anúncio é uma tentativa do Kremlin para mostrar que controla a situação.

O ministro da Defesa russo admitiu que cerca de seis mil soldados russos foram mortos em combate na Ucrânia, e é a primeira informação acerca das baixas russas desde Março. As estimativas ocidentais consideram que estes números são bem mais signiticativos.

O presidente Volodymyr Zelensky da Ucrânia, que deve discursar na Assembleia-Geral das Nações Unidas nesta quarta-feira, disse no seu discurso habitual discurso nocturno, e antes do discurso de Putin ser emitido, que quaisquer medidas anunciadas pelo líder russo - e qualquer votação "falsa" realizada em partes ocupadas de Ucrânia – seriam repudiadas e fortemente combatidas pelos militares no terreno que tudo farão para expulsar os russos.

"Nós contamos com o total apoio de nossos parceiros nesta questão", disse Zelensky. "Vamos manter a pressão. Vamos preservar a unidade. Vamos defender a Ucrânia. Estamos a libertar a nossa terra. E não estamos a mostrar nenhum sinal de fraqueza", disse o presidente ucraniano.

Os referendos, dizem os analistas, seriam um prelúdio para a anexação dos territórios pela Rússia e Moscovo poderia declarar que trataria quaisquer ataques a estas regiões como um ataque à própria Rússia e ameaçar como retaliação um ataque nuclear.


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