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Entre o cad√°ver adiado e o cad√°ver roubado

A morte de Jos√© Eduardo dos Santos começa a estar coberta com o ligeiro manto da indignidade, ou talvez não, talvez seja tudo uma brincadeira de mau gosto.

Por Cisola Silva Pontes em 11/08/2022 às 11:30:18
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O homem que governou o pa√≠s durante quase 40 anos jaz agora, gelado, numa gaveta de um tanatório em Barcelona, Espanha, onde passou os √ļltimos anos da vida em tratamento médico e razoavelmente mal-tratado por tantos dos que o rodearam em vida.

Uma disputa na praça p√ļblica entre a fam√≠lia Dos Santos e o Estado angolano tem produzido pérolas de mau gosto, que transforma a morte de José Eduardo dos Santos em algo pouco digno, ainda mais, para a cultura africana. Tchizé dos Santos diz o que lhe vai na alma onde e quando quer sem atender a quaisquer razões de Estado, mas o Estado angolano quando produz um comunicado em que fala de "dois dos seus muitos filhos" est√°, claramente, a ser rude e indelicado para com o antigo chefe de Estado a quem quer fazer um funeral condigno com a sua condição. Não podia ser mais contraditório. Ali√°s, contraditória foi, desde que assumiu o poder, a atitude do actual Presidente da Rep√ļblica para com o seu antecessor.

Agora mais uma histórica, verdadeiramente rocambolesca, que envolve o cad√°ver do antigo presidente.

Segundo o que escreve o Clube K - o que não foi confirmado por fontes oficiais - as autoridades espanholas registaramm nesta quarta-feira, 10 de Agosto, uma tentativa para retirar o corpo de José Eduardo dos Santos do tanatório – instalações destinadas a diversos tipos de cerimónias f√ļnebres e preparação de cad√°veres – do Instituto de Medicina Legal de Barcelona.

Reivindicava o cad√°ver um homem que se identificou como Victor Fonseca, que compareceu no tanatório ao in√≠cio da tarde, com uma série de documentos que, alegadamente, lhe daria legitimidade para levantar e levar o cad√°ver do antigo presidente.

No entanto, os respons√°veis pelo Instituto de Medicina Legal da capital catalã, antes de fazerem a entrega do corpo, decidiram contactar a fam√≠lia.

Aventa-se a possibilidade de os autores do roubo tentado do cad√°ver de José Eduardo dos Santos estarem inconformados com a morosidade da Justiça espanhol – que por agora est√° em férias judiciais até 31 de Agosto só resolvendo casos considerados muito urgentes – querem aproveitar isso mesmo e fazerem justiça pelos seus próprios meios.

No tem que que liderava a UNITA, Jonas Savimbi ter√° estudado a possibilidade de regastar os restos mortais de um sobrinho, Elias Salupeto Pena, que se dizia estar escondido numa c√Ęmara frigor√≠fica no Mausoléu António Agostinho Neto, em Luanda, também para o proteger de um alegado ritual. Tanto quanto se sabe, não o fez.

E também não se sabe que consequ√™ncias ter√° neste caso o facto de um alegado "Victor Fonseca" se sentir à vontade para ir ao tanatório, com documentos que ninguém sabe quem os produziu e enviado por quem, para levantar o corpo de José Eduardo dos Santos e que fim lhe daria, afinal.

Fonte: Clube K

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