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Apple, Microsoft, Amazon e Google compraram ouro ilegal da Amazónia

Parte do ouro extraído ilegalmente de terras indígenas brasileiras está a ser usado em computadores da Apple e da Microsoft, bem como em superservidores do Google e da Amazon, segundo uma investigação jornalística publicada pelo portal Repórter Brasil.

Por CSP em 26/07/2022 às 11:06:32
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Documentos obtidos pelo site Repórter Brasil revelaram que os gigantes da tecnologia, quatro das big five techs, compraram, em 2020 e 2021, ouro de diversas de empresas, sendo que algumas delas investigada pela Polícia Federal brasileira, extraído ilegalmente da terra indígena Kayapó, e da empresa Marsam, cuja fornecedora é acusada pelo Ministério Público Federal de provocar danos ambientais devido à aquisição de ouro ilegal.

A extração mineira em terras indígenas brasileiras viola a Constituição do país, apesar dos esforços do actual Governo brasileiro liderado pelo Presidente, Jair Bolsonaro, para que essa actividade seja legalizada.

Segundo o Repórter Brasil, a constatação de que as quatro empresas de tecnologia estavam a usar ouro ilegal extraído no Brasil ocorreu porque a Apple, Google, Microsoft e Amazon são obrigadas a enviar à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (Securities and Exchange Commission, ou SEC, na sigla em inglês) a lista dos seus fornecedores, não apenas de ouro, mas também de estanho, tungsténio e tântalo, e foi nestes documentos que ficaram comprovados os negócios com uma empresa brasileira (Marsan) e a italiana (Chimet) sob investigação.

"Os documentos referem-se às aquisições feitas em 2020 e 2021, mas relatórios anteriores a estes também apresentavam as duas refinadoras como fornecedoras", segundo o Repórter Brasil.

Das quatro empresas citadas, apenas a Apple respondeu ao ser questionada sobre o caso.

Em Maio, a Apple enviou uma nota dizendo que os seus "padrões de fornecimento responsável são os melhores do sector e proíbem estritamente o uso de minerais extraídos ilegalmente".

Dois meses depois desse primeiro contacto, a reportagem voltou a questionar a Apple, que afirmou numa nota ter removido a Marsam da lista de fornecedores. A Chimet, no entanto, continua como fornecedora.

Google, Microsoft e Amazon disseram que não comentariam, mas não negaram terem comprado à Chimet e à Marsam refinados de ouro. Os emails enviados pelo Repórter Brasil detalhavam os diversos danos socioambientais provocados pelo garimpo ilegal na Amazónia, bem como a investigação da Polícia Federal e dos procuradores da República brasileiros.

A mineração ilegal é considerada pelos ambientalistas como uma das principais ameaças à Amazónia brasileira e, segundo eles, está longe de operar de modo artesanal, conforme exigido pela legislação brasileira.

Embora alguns países tenham regulamentações que controlam a importação de ouro e outros minerais extraídos de áreas de alto risco, como reservas indígenas e ambientais, o Brasil não está nessa lista.

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