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Há um plano do G7 para tabelar, por baixo, o petróleo russo

As sete economias mais industrializadas do mundo estão confrontadas com o dilema de penalizar a Rússia com sanções sem pôr excessivamente em causa as suas economias internas. Entre as medidas anunciadas está uma eventual manipulação dos preços do petróleo.

Por Cisola Silva Pontes em 27/06/2022 às 12:33:56
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O plano gizado pelo G7 permitiria que a Rússia continuasse a vender petróleo, mas limitaria drasticamente o preço, no que é também o reconhecimento de que os embargos impostos pelos Estados Unidos e pelos seus aliados não prejudicaram grandemente as receitas petrolíferas russas, ao invés, o aumento dos preços dos combustíveis na Europa e nos Estados Unidos parece ter maiores repercussões nas economias dos blocos ocidentais e no bolso dos consumidores.

Também não parecem estar a funcionar as sanções económicas mais amplas que o Ocidente estabeleceu para tentar paralisar a economia russa, que, no limite, deve baixar em 10% este ano, ao mesmo tempo que o rublo recupera das perdas iniciais, desencadeadas com a invasão da Ucrânia, em 24 de Fevereiro.

Do ponto de vista militar, Moscovo tem avançado no terreno mais lentamente do que seria esperado, mas o domínio dos territórios no leste da Ucrânia é evidente, impondo pesadas baixas ao exército ucraniano, ao mesmo tempo em que manteve bombardeios persistentes em cidades tanto na costa do Mar Negro como mais a norte, perto da fronteira russa. Kyiv, a capita, continua a ser bombardeada.

A última iniciativa do G7, anunciada ontem, domingo, 26 de Julho, foi a proibição das importações do ouro da Rússia.

O esforço para colocar um tecto ao preço do petróleo russo é uma ideia de Janet L. Yellen, secretária do Tesouro da administração Biden. Há intensas negociações entre os ministros das Finanças dos G7, empresas privadas e líderes de países da América Latina, África e outros países que compram petróleo russo. E não há garantias de que o plano se concretize rapidamente ou que seja sequer bem-sucedido.

Há também uma potencial desvantagem: para ter sucesso, o plano precisaria de dar à China, Índia e outros países que não têm a mesma posição do G7 relativamente à invasão da Ucrânia pela Rússia a capacidade de comprar petróleo a preços mais baixos.

No entanto, as autoridades norte-americanas apostam neste plano, que pode reduzir tanto as receitas da Rússia com o petróleo como o preço do barril nos mercados globais.

Yellen é economista por formação, e sua ideia se baseia numa espécie de lógica de economista: os países procurarão pagar o mínimo possível por uma commodity crucial como o petróleo, seja qual for a posição que tenham relativamente à guerra na Ucrânia.

Há também por detrás deste plano uma certa "chico-espertice", o preço russo continua a fluir nos mercados globais mas a preços mais baixos.

Os Estados Unidos já proibiram a importação de petróleo russo e, nos próximos meses, aliados europeus proibirão a maioria das exportações de petróleo russo, e até ao final do ano, reduzirão as importações de gás da Rússia. Quaisquer limites do preço não interfeririam com estas proibições já existentes.

No entanto, e apesar do aumento das sanções, as receitas da Rússia com a venda de petróleo tem vindo a aumentar, em função do aumento dos preços dos combustíveis. A maior dor de cabeça fica para os consumidores de todo o mundo cada vez que se vão abastecer a uma bomba de combustível.

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