RCN12
Planalto Studio
Publicite

Jornalistas criticam a imprensa pública em tempo de pré-campanha

Um dos pressupostos essenciais de uma democracia é a existência de uma imprensa livre, que mantenha os cidadãos informados através de uma diversidade de vozes e opiniões, que responsabiliza as lideranças e que age, tanto quanto possível, de forma isenta e de acordo com amplos critérios jornalísticos.

Por Cisola Silva Pontes em 22/06/2022 às 07:06:18
DR

DR

Nos dias de hoje, de redes sociais dominadas pelos algoritmos, o papel dos jornalistas é (como nunca deixou de ser) fundamental.

Em tempo de pré-campanha, os porta-voz de algumas instituições angolanas da classe jornalística, criticam a cobertura da imprensa pública que favorece claramente o partido do poder, o MPLA, que consideram que esta forma de fazer jornalismo, além de errada, pode pôr em causa a estabilidade política e social do país.

Quem mais se queixa desta situação de falta de isenção da imprensa pública são os partidos candidatos as eleições do próximo dia 24 de Agosto, com a UNITA a fazer chegar uma queixa ao tribunal sobre tratamento desigual da média estatal em relação aos partidos.

O jornalista Reginaldo Silva, membro conselheiro da Empresa de Regulação da Comunicação Social Angolana (ERCA), falando em nome próprio, entende que o período eleitoral em Angola pode ser chamado de qualquer coisa menos de uma festa da democracia.

"Os órgãos de comunicação social não podem posicionar-se, fazer editoriais, distorcer as coberturas, têm que ser abertos na mesma proporção e perspectiva a todos os candidatos, para se evitar o que acontece hoje e vai continuar a acontecer", disse Reginaldo Silva.

Luísa Rogério, presidente da Comissão da Carteira e Ética, também em nome pessoal, diz que a postura actual dos media pagos com dinheiro de todos os contribuintes angolanos fere o interesse público.

"Essas acções todas que temos acompanhado poem em causa o interesse público, nós não estamos a falar só de vontades, desejos e muito menos de simpatias, estamos a falar de factos, e no caso de Angola está provado que os media públicos têm estado a lesar sistematicamente direitos, como de informação, de se informar e de ser informado, o cidadão é coartado de ter uma escolha objectiva com base na informação que que a media passa", sublinha Luísa Rogério.

Guilherme da Paixão, membro do MISA-Angola, e também falando em seu nome, sobre o assunto, diz que "o ambiente político actual, em termos de cobertura jornalística é mau, muito feio, e vai piorar à medida que nos aproximamos da data das eleições". Acrescenta que é "arrepiante acompanhar jornais dos órgãos públicos, esta postura só atrapalha e eu não sei como serão estas eleições do ponto de vista da comunicação social".

Felix Miranda, membro da ERCA, mas a falar em nome próprio, considera que a actual postura da media é muito mais nociva do que as balas.

"A comunicação Social passou a funcionar pior que os próprios canhões que disparam balas mais mortíferas, o ser humano a ser diabolizado transformado numa besta, num inimigo, temos na media o MPLA que já parte em vantagem de 50%, depois há mais 40% para algumas instituições, elas próprias também favoráveis ao MPLA, onde se inclui o próprio chefe de Estado, como candidato".

A cobertura da actual pré-campanha, da campanha e das eleições de 24 de Agosto pela imprensa pública angolana tem sido fortemente criticada também pelos partidos da oposição, activistas e observadores políticos.

Fonte: VOA

Comunicar erro
Restaurante

Comentários

Banner_Animado_Planalto_Studio