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Tito Cambanje, uma jovem promessa do MPLA com pés de barro

As imagens são de uma violência inaudita, mesmo que não se soubesse quem são os protagonistas de tão desigual agressão. Tito Cambanje, jurista, membro do Comité Central do MPLA e candidato nas listas do partido à Assembleia nacional, é um dos protagonistas de uma agressão a que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e os Serviços de Informação Criminal (SIC) não deviam fechar os olhos.

Por Cisola Silva Pontes em 21/06/2022 às 09:09:28
Tito Cambanje, jurista

Tito Cambanje, jurista

Vamos aos factos: 1) Tito Cambanje participou na brutal agressão a um segurança de uma empresa privada, que desempenhava funções num edifício, no Maculusso - as imagens estão documentadas por câmaras de videovigilância; 2) a brutal e desigual agressão – vários contra um – aconteceu na manhã do dia 12 de Junho 3) há testemunhos que indicam que o segurança, de nome "Sr. Pazito", só sobreviveu devido à pronta intervenção da polícia e dos vizinhos 4) segundo os mesmo testemunhos, Tito Cambanje e outro dos elementos que participaram no espancamento colocaram-se em fuga e escaparam à detenção policial.

Entre os dias 12 de Junho e 20 de Junho, o caso não foi conhecido, não se conhecem as consequências ou quaisquer queixas-crime relativamente ao acto que não pode ser classificado de outra forma que não de uma acto de barbaridade, contrário à lei e aos Direitos Humanos, e nele participou um candidato a deputado nas listas do MPLA e membro do Comité Central, sem que os órgãos do partido tenham dito seja o que for – que só podia ser de repúdio – relativamente aos factos. O silêncio do MPLA tem, também, uma leitura política.

Todo o cidadão é inocente até prova em contrário, mas as imagens são uma gritante denúncia- sendo que o próprio já assumiu a sua intervenção - e por esta altura, no mínimo, as autoridades já devem ter aberto uma investigação para apurar os factos que só não terminou em tragédia por acaso e conduzir os arguidos a tribunal.

Entretanto, e nunca é demais lembrar, Tito Cambanje é um jurista e um político prometedor do MPLA.

Tito Cambanje, no local onde ocorreu a agressão, captado pelas câmaras de videovigilância

Cambanje não contou, muito provavelmente, com uma nova realidade – é que as redes sociais vieram democratizar a Justiça no sentido em que a tornaram mais acessível a todos, pelo menos no que tem a ver com a denúncia.

Na sua página do Facebook, o jurista escreve: "Circulam nas redes sociais vídeos a retratar uma situação de violência gratuita, pondo em causa o meu bom nome, enquanto cidadão e chefe de família, e a idoneidade da minha qualidade de Jurista. Os vídeos retratam uma atitude face à qual garanto que nada tem a ver com o meu carácter, com a minha forma de estar em comunidade, algo facilmente testemunhado por quem prive regularmente comigo".

E prossegue: "Os vídeos massificados nas redes sociais preformam apenas uma parte dos eventos que os geraram cuja íntegra foi detalhada aos órgãos judiciais competentes aos quais me predispus, desde cedo, a detalhar o curso dos acontecimentos e a prestar toda a colaboração necessária, tendo ainda manifestado perante os mesmos a minha firme vontade de assumir as consequências decorrentes".

Não contestando o essencial, o que as imagens reportam, Cambange escreve: "Os eventos filmados decorreram de uma situação de estresse advinda de julgadas ameaças à integridade física e patrimonial, levando ao despertar dos meus instintos mais básicos de forma menos racional".

E adianta: "No entanto, após os devidos esclarecimentos, tratei de corrigir, ao máximo possível, os efeitos dos meus actos, prestando assistência médica e psicológica, quando resultou necessário, às figuras mais directamente afectadas".

Ainda acrescenta: "Tenho, entretanto, consciência de que os afectados não foram apenas os envolvidos directamente nas cenas retratadas nos vídeos, mas todos que o assistiram e se sentiram defraudados por tudo quanto se espera de quem desempenhe as funções que desempenho e tenha as influências que tenho no seio da sociedade angolana".

Por último: "Apresento, por isso mesmo, os meus mais sinceros pedidos de desculpa e manifesto o mais autêntico arrependimento junto de todos quanto se tenham ofendido em consequência dos actos que pratiquei, em particular a minha família injustamente arrastadas para uma polémica que em nada nos dignifica enquanto seres humanos e tementes a Deus".

E, naturalmente, coloca-se à disposição das autoridades "e dos órgãos judiciais no sentido de esclarecer os factos e de assumir as consequências deles decorrentes".

É neste patamar que consideramos que Tito Cambanje não pode ser dissociado de uma outra condição, a de membro do MPLA, do Comité Central do partido, e agora, e a seu pedido, retirado das listas de candidatos a deputado nas eleições gerais de 24 de Agosto.

Em vésperas de eleições, numa altura em que, e tal como acontece em qualquer parte do mundo nas mesmas circunstâncias, procuram-se as fragilidades dos oponentes, a atitude de Tito Cambanje traz vulnerabilidade ao MPLA, que assobia para o lado. Mas será que pode?

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