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Próximas eleições em Angola deverão ser "as menos transparentes e credíveis"

A investigadora da Universidade de Oxford Paula Roque defendeu, em Lisboa, que as eleições de 24 de Agosto serão "as menos transparentes e credíveis" das realizadas até agora, e disse recear o que possa acontecer no dia pós-acto eleitoral.

Por Cisola Silva Pontes em 18/06/2022 às 14:28:58
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A investigadora da Universidade de Oxford Paula Roque defendeu em Lisboa, esta semana, que as eleições gerais de 24 de Angola, as quintas no país desde a instituição do regime multipartidário, serão "as menos transparentes e credíveis" das realizadas até agora. A investigadora, que segue muito de perto a realidade angolana, revelou alguma preocupação relativamente ao que poderá acontecer no período pós-eleitoral.

"Tudo indica que estas eleições serão as menos transparentes e credíveis de todas", afirmou Paula Roque, uma das oradoras na sessão de abertura do II Congresso Internacional de Angolanística, que está a decorreu na Biblioteca Nacional, em Lisboa, uma iniciativa da Rede de Investigação Científica de Angola (Angola Research Network).

A investigadora também acredita que as próximas eleições gerais serão "as mais competitivas" a que já se assistiu em Angola. Ainda assim, chamou a atenção para o facto de "não teremos contagem municipal nem provincial, apenas a nacional", pelo que "não haverá centros de escrutínio" nesses locais, e "todas as actas eleitorais serão enviadas para Luanda para serem somadas", explicou, apontando que quem vai fazer "o transporte das urnas serão entidades ligadas à presidência e ao aparelho de segurança", no que configura um elemento acrescido de tensão.

A investigadora de Oxford, que é filha do empresário Horácio Roque, já falecido, e de Fátima Roque, antigo quadro da UNITA, salientou que não tem nada a ver com este ou com outro partido em Angola, e que as suas afirmações resultam de um trabalho de investigação independente.

Pelo facto de haver áreas inacessíveis, o transporte das actas eleitorais, continuou, será feito por helicópteros da Força Aérea angolana. Não é garantido que todas as actas possam ser verificadas por elementos ligados aos partidos da oposição ou mesmo por observadores independentes, quer nacionais quer internacionais, disse ainda a investigadora, ou seja, disse, não será possível "para verificar a transparência e independência da contagem".

"Poderão a oposição e a sociedade civil ter os 50.000 representantes necessários para estarem presentes em todas as assembleias de voto?", questionou. E respondeu: "Provavelmente não. Poderá assim haver uma manipulação de resultados, com pouca hipótese de provar o contrário".

Neste cenário, a investigadora falou do seu receio pelo que possa vir depois das eleições em Angola.

"Neste contexto, preocupa-me muito o dia depois das eleições. O dia 25 de agosto (...). Quando os resultados começarem a sair o clima de tensão será palpável. Haverá uma necessidade de liderança para garantir que não haja violência política", considerou.

Lembrando que, recentemente no Congresso da Nação, foi sugerido que houvesse um código de conduta pré-eleitoral vinculativo a todos - aos órgãos de Estado, ao aparelho de segurança, à comunicação social e depois que se concordasse com um pacto de estabilidade de eleições, vinculativo aos que venceram e aos que perderam -, a investigadora de Oxford concluiu: "Isto parece-me uma estratégia importante".

"A estabilidade de Angola terá de ser mantida, mas não se poderá sacrificar a vontade da população pela alternância (políticaO, nem os ganhos democráticos já feitos" pelo país, acrescentou Paula Roque.


Fonte: Lusa

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