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Francisco Viana deixa o MPLA e escreve carta aberta a João Lourenço

Um dos principais organizadores do recente congresso "Congresso da nação, pensar Angola", mostra-se claramente ressentido pelo facto do governo e do seu partido lhe terem virado as costas, mas, mais do que isso, Viana, filho e neto de nacionalistas, que estiveram na fundação do MPLA, aposta na alternância política em Angola.

Por Cisola Silva Pontes em 17/06/2022 às 12:57:07
Francisco Gentil Viana

Francisco Gentil Viana

A Camunda News tentou contactar Francisco Viana para obter alguns esclarecimentos acerca do conteúdo da sua carta aberta, dirigida ao presidente do MPLA e Presidente da República, mas até ao momento não foi possível. Ficamos então, com uma síntese do que diz Francisco Viana na sua carta-apelo-lamento-ressentimento em que se desvincula do MPLA a partir de hoje, dia 17 de Junho.

Francisco Viana pede a "desvinculação formal e imediata" do partido em que entrou pela mão do camarada Hoji-Ya-Henda, "com quem tive a honra de partilhar momentos memoráveis, verdadeiras aulas de Patriotismo, que contribuíram para formar o meu carácter revolucionário e para a minha adesão à causa da luta de libertação nacional", tudo isso aconteceu no final dos anos de 1960, em Argel, e quando tinha oito anos, e em tempo de "vitória ou morte". Aos 16 anos entra na FPLA.

Neto de Gervársio Ferreira Viana e filho de Gentil Ferreira Viana, não pode ser de outra forma, admite, também porque um e outro estão profundamente ligados ao nacionalismo africano, o avô na fundação da Liga Nacional Africana, e o pai na militância, desde a primeira hora, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

Passados estes anos, Francisco Viana deu-se conta que "o meu contributo no MPLA, junto de determinadas esperas, não é apreciado, nem bem-vindo e que a minha insistência acabou por atrair ódios e incompreensões", sendo afastado, sem que antes tivesse sido notificado, da Comissão Executiva do partido.

Queixa-se que as suas propostas nunca foram aceites, nomeadamente, as eleições autárquicas "para todos e em todo o território nacional".

Francisco Viana abandona o "partido do meu coração" e fala em "fim de ciclo", especialmente magoado com a forma como o partido e o Presidente trataram o esforço que fez na tentativa de ter representantes de um e de outro no Congresso da Nação, realizado em Viana, em 27 e 28 de Maio, iniciativa que considera um tremendo sucesso, tanto a nível nacional como internacional, e em que estiveram representados vários partidos, várias igrejas, sindicatos e sindicalista e sociedade civil, e entre eles, escreveu "dos mais qualificados quadros do nosso país", em busca de "um projecto de consenso".

"Este MPLA já não é o MPLA dos meus tios e das minha tias, o MPLA da Luta de Libertação Nacional", escreve Francisco Viana, de um partido com cerca de 700 membros no Comité Central, sendo que Viana tem sérias dúvidas de quanto deles são "realmente patriotas, verdadeiramente dedicados e sacrificados" por uma Angola melhor.

"Quem ganha dinheiro em Angola são uns poucos marimbondos e os seus cúmplices estrangeiros... os outros nem vivem, tentam sobreviver e têm medo de se exprimir, medo de perder as poucas migalhas que na realidade raramente apanham", escreve ainda Francisco Viana na sua carta-manifesto.

E Viana não culpa o "camarada presidente", ou melhor, diz que a culpa "não é só" dele mas "de todos nós: é dos opressores e dos oprimidos, é do MPLA dos Pobres e do MPLA dos Marimbondos, uns porque roubam descaradamente e os outros porque se deixam roubar covardemente... uns porque mataram os nosso sonhos, outros porque deixaram de sonhar".

E Francisco Viana quer continuar a sonhar, e também por isso sai do partido, para continuar a "sonhar e a lutar por uma Angola Melhor...".

Não termina a sua carta aberta sem lembrar ao Presidente do partido e da República que "numa sociedade democrática, a alternância política deve ser encarada como um facto positivo de consolidação das instituições democráticas" e que "perder uma eleição não deve ser encarado como uma humilhação", pede, pois, eleições "justas, livres e transparentes".

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