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"Em Angola não há informação na televisão pública", diz Carlos Rosado de Carvalho

Numa altura em os principais partidos da oposição contestam a falta de imparcialidade dos órgãos de comunicação social, maioritariamente controlados pelo Estado, a DW África, entrevistou o economista e jornalista Carlos Rosado de Carvalho que corrobora essa ideia, que, aliás, é uma ideia generalizada na opinião pública, também dada a forma evidência como os órgãos de comunicação social públicos, concretamente, a TPA e a Zimbo organizam os seus principais noticiários.

Por CSP em 16/06/2022 às 06:37:09
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Como a Camunda News já referiu, em diversos artigos e estudos, há uma evidente desigualdade entre os tempos de noticiário atribuídos ao Governo e ao MPLA e aos restantes partidos da oposição, cujas actividades ou não são noticiadas ou o são de forma quase residual.

E em entrevista à DW África, o jornalista Carlos Rosado de Carvalho diz que a oposição tem razão.


Carlos Rosado de Carvalho, economista e jornalista

Segundo o jornalista e professor universitário, e também analista da realidade nacional, a situação decorre uma "lavagem ao cérebro" para "levar as pessoas a votar no Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder)". O que é tanto mais grave quando nem toda a gente tem acesso a outras fontes de informação, por exemplo, nas redes sociais.

DW África: Há um tratamento desigual dos partidos políticos pela imprensa pública?

Carlos Rosado de Carvalho (CRC): O líder do MPLA tem praticamente o monopólio da imprensa pública, em particular das televisões, da [Televisão Pública de Angola] TPA, que mais parece a TMPLA, de tal forma é o tratamento desigual dispensado aos diferentes concorrentes às eleições gerais. Atualmente, no mundo em que vivemos, a televisão é ainda o órgão que chega a mais gente, particularmente em Angola. Atrevo-me até a dizer que se não passou na televisão, não existe. E a televisão que chega a todo o país é a TPA.

DW África: Quanto tempo de antena a mais é dado ao Presidente João Lourenço?

CRC: Quando o Presidente João Lourenço aparece nos média públicos, nós nem percebemos se é na qualidade de Presidente da República, se é na qualidade de titular do poder executivo, se na qualidade de presidente do MPLA.

Na quinta-feira, 9 de junho, dia em que o Presidente deu uma conferência de imprensa no telejornal da TPA, que é o principal jornal do dia, provavelmente o mais visto, o telejornal teve dez peças. Nove dessas peças foram dedicadas ou envolveram, de forma direta ou indireta, o Presidente da República. Feitas as contas neste noticiário, o Presidente da República teve uma hora, dois minutos e doze segundos (de tempo de antena).

DW África: A UNITA tem razão em culpar o MPLA por esta desigualdade?

CRC: Claro que quem governa Angola é o MPLA. E, portanto, nós vimos o que sai do bureau político para a imprensa: o MPLA a dizer que ele não dá orientações à televisão. Mas há e são conhecidas reuniões, que existem.

Eu acho que há uma responsabilidade solidária do partido, do Governo e dos próprios jornalistas.

DW África: Neste domínio, as eleições serão justas?

CRC: Não são justas. Para votarem, as pessoas têm que estar informadas, têm que conhecer os programas dos diferentes partidos. Se passassem coisas do João Lourenço, mas houvesse um mínimo de isenção... No entanto, nós não vemos uma crítica a João Lourenço.

A Constituição diz que a imprensa pública tem que dar um tratamento imparcial aos diferentes partidos. Nós não temos informação em Angola, na média pública. Nós temos propaganda. As eleições que se avizinham estão viciadas. Toda esta propaganda que está a ser feita através dos média públicos tem o objetivo de influenciar o voto das pessoas no sentido de votarem no MPLA.

Fonte: DW

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