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Angola tem dois m├ędicos por cada dez mil habitantes e a mal├íria continua a ser a principal causa de morte

A mal├íria disparou em Angola e o sector da sa├║de continua incapaz de uma execução orçamental a 100% e ainda aqu├ęm do Plano de Desenvolvimento Nacional do Governo para 2018-2022, e na linha da agenda de Dakar e Abuja.

Por CSP em 20/05/2022 às 10:43:49
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"Pensar Angola", na sua II Confer├¬ncia Nacional, re├║ne, hoje e amanhã, no Royal Plaza Hotel, in├║meros convidadas para, justamente, pensar o pa├şs. Entre os intervenientes do primeiro dia, o destaque vai para o médico Jeremias Agostinho, que explanou sobre "Desafios e Oportunidades para o Sistema de Sa├║de Angolano".

Para Jeremias Agostinho, o primeiro desafio a ser ultrapassado é a inversão da dotação orçamental para o sector da sa├║de."Desde 2017 até 2022, o orçamento que é disponibilizado para o sector da sa├║de vai crescendo a cada ano. Infelizmente, e este é um desafio e o primeiro que tem de se combater, tem a ver com a execução do orçamento", disse o médico, que acrescentou qque quase nunca se atinge os 100% da execução orçamental, variando entre 60% e 70% do que foi planeado para o sector.

"É preciso mudar isso, porque o nosso pa├şs assinou compromissos muito importantes, como a meta de Dakar e de Abuja, em como iria disponibilizar cerca de 15% do Orçamento Geral do Estado (OGE) para o sector da sa├║de. J├í atingimos um m├íximo de 6,1%, ou seja, falta-nos ainda 8,5% para atingirmos essa meta", salientou Jeremias Agostinho.

O também especialista em sa├║de p├║blica considerou importante que a situação se altere, tendo em conta as altas taxas de mortalidade que o pa├şs ainda regista, cuja principal causa é a mal├íria.

Jeremias Agostinho, médico especialista em Sa├║de P├║blica

"Em 2013, o nosso pa├şs diagnosticou mais de tr├¬s milhões de casos de mal├íria e esse n├║mero subiu, em 2019, para cerca de sete milhões de casos. Nos anos 2020 e 2021, esse n├║mero voltou a aumentar em torno de 50%, ou seja, nunca se identificaram tantos casos de mal├íria como nesses anos", avançou.

No que se refere às principais causas de mortalidade, Jeremias Agostinho apontou a mal├íria, seguida da tuberculose e os acidentes de viação.

"Só em 2013, foram, e no que concerne à mal├íria, 7.300 pessoas que perderam a vida, em 2019 este n├║mero baixa de forma significativa, fomos obtendo bons resultados em relação à mal├íria desde a crise que tivemos em 2016. Em 2016, foram, num ├║nico ano, mais de 16 mil pessoas que perderam a vida por mal├íria e em 2019 este n├║mero baixou para cerca de oito mil", frisou.

O médico lamentou que com a pandemia da covid-19 a maior parte do apoio tenha sido direcionado para esta doença, tendo as principais doenças "passado para um segundo plano", provocando que, em 2020, fossem registadas 11 mil mortes por mal├íria, subindo em 2021 para cerca de 13 mil.

"São n├║meros claramente preocupantes e todo o trabalho deve ser feito no sentido de reduzir esse n├║mero", disse o médico.

Entre 2018 e 2019, cerca de 25 milhões de cidadãos procuraram os serviços de sa├║de, referiu Jeremias Agostinho, expressando que "infelizmente ainda se adoece muito" em Angola.

Dos cerca de 25 milhões de cidadãos que procuraram os serviços de sa├║de, 15 milhões procuraram os hospitais "porque tinham uma doença ligada ao saneamento b├ísico".

"Ou seja, o acumular de lixo que temos em muitas prov├şncias e a falta de acesso à ├ígua pot├ível, o défice no sistema de drenagem, quer seja das ├íguas resultantes das chuvas como domésticas foram o motivo que fizeram com que 80% das pessoas tivessem doenças e acorressem a uma unidade de sa├║de", disse.

"Infelizmente, destes 15 milhões de doentes, cerca de 25 mil faleceram (...), dos quais 19.737 indiv├şduos perderam a vida em dois anos por causa da mal├íria, ou seja, a mal├íria é um fardo enorme para o nosso sistema de sa├║de", referiu.

Relativamente aos recursos humanos, Jeremias Agostinho disse que ainda é reduzido o n├║mero de profissionais - cerca de dois médicos por cada 10 mil habitantes.

"Estes profissionais, infelizmente, não t├¬m a valorização e o apoio que necessitam, e é este aspecto que tem contribu├şdo para a fuga de muitos quadros para o exterior", adiantou o profissional de sa├║de.

O médico criticou também a pol├ştica de priorização de investimentos para o sistema terci├írio em vez do prim├írio, com 70% e 30% do orçamento para o sector da sa├║de, respectivamente.

Fonte: Lusa

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