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Partido Conservador do Reino Unido financiado através de um banco russo

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson, sob pressão, mostrou relativa firmeza nas medidas sancionatórias à elite russa, ao mesmo tempo que varria o lixo para debaixo do tapete no que tem a ver com o financiamento do seu partido

Por CSP em 13/05/2022 às 05:42:35
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Um alerta bancário, investigado pelas autoridades competentes, levou à origem de uma doação ao Partido Conservador de mais de 630 mil dólares, em Fevereiro de 2018 e surgiu o nome de Ehud Sheleg, um negocia de arte londrino que foi tesoureiro do Partido Conservador.

O dinheiro faz parte da campanha para angariação de fundos que levou à eleição, em 2019, de Boris Johnson, que os "tories" ganharam com significativa maioria.

O Barclays, que alertou em Janeiro de 2021, o regulador britânico e a agência que investiga este tipo de crimes, admitiu que tinha sido capaz de seguir o rasto do dinheiro até à sua origem, depois de ter sinalizado a transacção como suspeita, no que pode ser uma lavagem de dinheiro e um financiamento de campanha ilegal. Não se percebe muito bem é por que o Barclays demorou três anos a fazer a denúncia.

O que ainda não foi escrito é que o sogro de Sheleg é um rico ucraniano pró-russo e que o dinheiro saiu de um banco russo. Para o advogado de Sheleg é perfeitamente normal que o pai tem dado dinheiro à filha sem ter o propósito de que esse dinheiro acabasse como uma doação do Partido Conservador de que o marido era tesoureiro.

No entanto, no Reino Unido, é ilegal que os partidos políticos aceitam doações d mais de 500 libras (cerca de 600 dólares) de cidadãos estrangeiros que não estão registados no país como eleitores.

Não era segredo para ninguém que os oligarcas russos financiaram nos últimos anos os partidos políticos ingleses, mais os conservadores, mas esses doadores obtiveram, entretanto, a cidadania britânica, não é o caso que envolve Sheleg, porque o seu sogro era e continuou a ser um cidadão estrangeiro.

Durante décadas, o dinheiro russo inundou a economia de Londres, enriquecendo advogados, contabilistas e corretores de imóveis, e os líderes britânicos optaram por fazer vista grossa ao que se passava, enquanto os imóveis da aristocracia britânica passavam para a oligarquia russa. Ao mesmo tempo o Kremlin inundava as redes sociais de desinformação, inferindo nos processos eleitorais e favorecendo este ou aquele político, mais os conservadores, que são eles que estão no poder no Reino Unido há mais de uma década.

E depois a Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de Fevereiro, e tudo mudou. E Boris Johnson passou a ser um dos maiores defensores da Ucrânia no mundo.

Por agora não há qualquer indicação de que o Partido Conservador ou Boris Johnson soubessem da origem da doação, mas, e de acordo com a lei inglesa, cabe aos partidos a responsabilidade de garantir que as doações que lhe são feitas tenham uma origem legal

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