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No ranking das empresas de crescimento mais rápido em África não há angolanas

O ranking anual de empresas privadas elaborado pela primeira vez pelo Financial Times pretende dar uma visão geral do cenário corporativo no continente africano. Em 75 empresas, dos mais variados sectores, não constam quaisquer empresas angolanas.

Por Cisola Silva Pontes em 05/05/2022 às 07:23:57
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A análise ao comportamento das empresas e à sua capacidade de crescimento foi feita tendo em conta os desafios recentes, em que muitas empresas tiveram de continuar a operar no contexto das restrições introduzidas por muitos governos africanos devido ao combate à pandemia da covid-19.

Apesar de tudo, e de acordo com o relatório publicado pelo Financial Times no seu site – um relatório mais detalhado será publicado, na versão impressa, ainda este mês – adianta que se retirarmos a África do Sul e alguns países do norte da África, o impacto, no que tem a ver com questões de saúde pública, foi menos grave do que muitos chegaram a prever, mas as consequências económicas do bloqueio – especialmente nos centros urbanos de grande densidade populacional – foram devastadoras.

Ainda assim observa-se um lado positivo na pandemia, que foi o de acelerar de tendências de negócios já em andamento. Desde os bancos, ao ensino, passando por start-ups, as empresas estabelecidas passaram para o online e procuraram novas soluções para os seus clientes em particular e para a sociedade no seu todo.

Por exemplo, a Wasoko, designada anterior de Sokowatch, uma empresa do Quénia do sector tecnológico, a primeira no ranking do FT, é uma das várias empresas do continente africano que procurou reduzir os custos dos negócios no sector do comércio, encontrando formas mais eficientes de entregar as mercadorias aos comerciantes e destes aos clientes.

O Quénia é, aliás, o terceiro país mais representado no ranking do FT, com nove empresas. O país com mais empresas entre as 75 que compõem o ranking é a África do Sul, com 24 empresas, e a Nigéria, com 20 empresas. Depois destes três países surge o Egipto com seis empresas. Angola continua a ter um sector privado muito pobre do ponto de vista doméstico e quase irrelevante do ponto de vista do continente africano.

O conjunto dos quatros países com empresas mais representadas no ranking é também o conjunto de países mais atractivos para o capital de risco e onde os unicórnios - empresas avaliadas em mais de mil milhões de dólares - ou aspirantes a unicórnios proliferam.

Muitas das empresas de crescimento mais rápido, especialmente no sector das fintech, são aquelas que procuram ir ao encontro da população não bancarizada de África, ou mercados que anteriormente eram mal atendidos ou ignorados, ou seja, a economia informal. E os sectores de saúde e educação estão entre os que oferecem mais espaço para crescimento.

Empresas mais tradicionais, e, entre elas, as mineradoras e construtoras, também fazem parte da lista, provando que nem todo crescimento rápido é digital.

Ainda assim, é provável que muita atenção seja dada às start-ups inovadoras que agora atraem financiamento recorde, muitas das quais estão a divulgar soluções exequíveis ??para os problemas profundos de África.

É a primeira vez que o Financial Times elabora esta lista de empresas de crescimento rápido no continente africano. O ranking foi elaborado pela Statista, uma empresa de pesquisa, que classifica as empresas africanas pela sua taxa de crescimento anual composta (CAGR/Compound Annual Growth Rate) em receita, entre 2017 e 2020, um elemento importante para analisar da viabilidade de um investimento.

Como muitas empresas de rápido crescimento são privadas e não divulgam publicamente dados financeiros detalhados, uma classificação como esta não pode ser considerada completa. Mas o site do FT também revela a metodologia usada e os critérios são transparentes. Entre esses critérios está que os números apresentados pelas empresas tenham sido devidamente auditados.

Não sendo um ranking completo, dá uma visão da saúde das empresas privadas africanas. No caso angolano, e por omissão, podemos deduzir que ainda há um longo caminho a percorrer, tanto com empresas que se afirmem no continente como empresas em crescimento rápido; como empresas que reportem contas auditadas e transparentes.

Para o ranking foram elencadas mais de 900 empresas africanas que se registaram online para o efeito entre Outubro de 2021 e Fevereiro de 2022. O processo exigia que os valores de receita apresentados fossem certificados pelo diretor executivo, diretor financeiro ou um membro do comité executivo da empresa, com receitas de pelo menos 1,5 milhões de dólares em 2020. E todas as empresas têm a sua sede operacional no continente africano.

Os valores da receita foram então convertidos em dólares norte-americanos para melhor comparabilidade no ranking. Para o efeito, foi utilizada a taxa de câmbio média do exercício indicada pela empresa. A taxa de crescimento anual composta (CAGR) foi calculada da seguinte forma: (receita 2020 / receita 2017)^(1/3)) — 1 = CAGR – com o mínimo necessário para ser incluído no ranking de 7,99%.

Fonte: Financial Times

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