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SOLIDARIEDADE INTERGERACIONAL: UMA LEITURA A PARTIR DOS RESULTADOS DO ESTUDO DA AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS SOCIO-ECONÓMICOS DAS MEDIDAS DO EXECUTIVO ANGOLANO NO COMBATE À COVID-19

Os resultados do estudo levado a cabo pela COVILONGWA CONSULTING dão conta de uma solidariedade afetiva de algumas entidades do executivo e do governo por parte dos cidadãos inquiridos, isto a partir da leitura que podemos fazer do nível de confiança em relação às instituições do Estado, à Ministra da Saúde, ao Ministro do Interior, às Administrações Municipais e aos Governos Provinciais.

Por Administrador em 23/04/2020 às 07:11:28

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A solidariedade intergeracional (SI) há muito que se tornou assunto de pesquisa no âmbito da sociologia. Porém, até hoje, infelizmente, grosso modo, essa abordagem ficou refém à área da sociologia da família. O que pretendemos fazer aqui é ensaiar esse conceito no âmbito da sociologia política, isto, a partir de uma leitura dos resultados saídos da investigação levada à cabo, no âmbito de um consórcio de investigação científica, pela OVILOMGWA CONSULTING, uma organização científica de sondagens e estudos de opinião pública, a qual visou avaliar os impactos socioeconómicos das medidas do executivo angolano no combate à COVID-19 e coordenada por três investigadores: David Boio, do CISN (Centro de Investigação Sol Nascente), Carlos Pacatolo e Martinho Mbangula, ambos da OVILONGWA CONSULTING.

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Sem poder esgotar a problemática em volta da solidariedade imtergeracional na área da sociologia da família, importa-nos sintetizar duas realidades sobre o assunto de acordo com Ana Paula Martins Gil, em 2010:

1) Existe uma multiplicidade de dimensões atinentes a Solidariedade Intergeracional: solidariedades afetivas, solidariedades materiais e solidariedades simbólicas, abrindo margem para que esse conceito seja aplicável a solidariedade intergeracional (SI) no geral, e não meramente ao âmbito familiar.

2) Em revisão de literatura sobre o assunto, destacam-se duas escolas: a escola americana e a escola francesa. Na escola americana, destacam-se Shanas, Litwak e Vern Begnston. É a concepção deste último que poderemos "transmutar" do campo da sociologia da família para o campo da sociologia política, logo, neste caso, estaremos a falar em solidariedade política intergeracinal.

Vamos entender por solidariedade política intergeracinal como um conceito que serve para caracterizar as diversas dimensões comportamentais e de laços efectivos e simbólicos ou até material entre governo e governados.

Nisto, devemos apontar primordialmente três dimensões deste conceito: solidariedade afetiva, solidariedade associativa, solidariedade funcional.

Os resultados do estudo levado a cabo pela COVILONGWA CONSULTING dão conta de uma solidariedade afetiva de algumas entidades do executivo e do governo por parte dos cidadãos inquiridos, isto a partir da leitura que podemos fazer do nível de confiança em relação às instituições do Estado, à Ministra da Saúde, ao Ministro do Interior, às Administrações Municipais e aos Governos Provinciais. De acordo com o estudo - teve uma amostra (não representativa da população estudada) de 2291 indivíduos, com idades compreendidas entre os 18 a mais de 65 anos - em relação à confiança no desempenho das instituições do Estado 43,5% confia, em relação à Ministra da Saúde 44,3%, confia, Administração Municipal 36,5%, Governos Provinciais 44,1%, Ministro do Interior 39,1%. (Dizer que, no estudo, a confiança foi medida com base em quatro categorias ("não confia", "confia pouco", "confia", "confia muito"). Porém, aqui, para efeitos de análise comparativa, somente nos servimos, desse estudo, da categoria "confia".

Olhos atentos nesses dados, podemos ver que os indivíduos da amostra, possuem um nível de confiança por cada órgão e entidade. Essa confiança traduz a avaliação que eles fazem do trabalho deles nesse período. E uma avaliação positiva de um governo, da parte dos governados, impulsiona a solidariedade, o apoio desde a aqueles. Com base nos dados das três categorias, poderia divir a confiança dos indivíduos investigados, em três notas: 1) "positiva", 2) "negativa" e 3) "neutra": A Ministra da Saúde, e as instituições do Estado no geral (Positiva), Administrações Municipais, Governos Provinciais (Neutra) e Ministro do Interior (Negativa). A questão que se coloca é: os que receberam nota positiva tem dos cidadãos investigados uma solidariedade afectiva?A nossa hipótese é assertiva.

Sendo que a solidariedade afetiva é entendida como os sentimentos positivos e a avaliação positiva que os governados têm e fazem dos governantes, a Ministra da Saúde tem maior solidariedade afetiva por parte dos cidadãos que têm estado a avalia-la. E essa solidariedade é hipoteticamente intergeracional porque, estudo evidencia que a maior parte dos indivíduos da amostra estão entre os 18 aos 25 anos, equivalendo a 47,3% do número total dos indivíduos da amostra. Isto significa, num olhar sociológico, que a maior parte é jovem e sendo jovem, é evidente que os jovens dão um suporte, apoiam afetivamente a Ministra da Saúde. E isso pode ser provado por dados paralelos, como as manifestações dos usuários da rede social Facebook em relação ao trabalho da própria Ministra da Saúde - com alguns mais sépticos à espreita, é claro!


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São provas evidentes de que há uma solidariedade política intergeracional, que contrapõe o "ódio político intergeracional" que é também uma realidade entre nós, com o advento de uma cidadania afastada da militância.

Portanto, a solidariedade política intergeracional constitui (deve ser usado) um instrumento político para ganhar a confiança dos jovens apartidários. E como conquistar a solidariedade política dos jovens?

Com o advento da consolidação da cidadania - com o abrir mão do Estado dos direitos fundamentais dos cidadãos, como direito a liberdade de expressão e de imprensa, liberdade de manifestação e reunião - e a abertura e estruturação da esfera pública, onde uma sociedade civil mais presente começa pressionar o governo e o executivo na tomada de decisões, concepção e execução de políticas públicas, a solidariedade política intergeracional têm se tornado mais importante que a solidariedade política ideológica (tradicional - baseada na ideologia partidária), visando, quer à manutenção do poder ou a subida no poder (que é objectivo de qualquer organização política) quer à garantia de um diálogo consensual contínuo (com menos montim) entre as organizações político-partidárias e a sociedade civil e/ou os cidadãos. Nisto, os próprios partidos políticos já vão dando conta da situação e já têm procurado, ido em busca dessa solidariedade política intergeracional que é um fenómeno próprio da nossa estrutura política, dado ao facto de ser a nossa população maioritariamente jovem.

A juventude dos partidos não albergam nem a metade da juventude angolana - quero crer. Há toda necessidade, de fortificação dos laços intergeracionais como instrumento político. E a tónica dessa fortaleza passa pela boa governação, ou seja, pela execução com competência e zelo da função que aqueles que têm cargos políticos tem-se-lhes sido confiada. E a prova disso são os resultados do estudo de avaliação sobre os impactos socioeconómicos das medidas tomadas pelo executivo angolano no combate à COVID-19, que deu conta, como pudemos provar ao longo da nossa abordagem nesse texto.

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