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UM OLHAR À REDE 5G EM ÉPOCA DE COVID-19

Actualmente, a rede 4G e todas as suas variantes permitem velocidades de aproximadamente 45 Mbps, mas a indústria ainda tem esperança de alcançar 1Gbps. A tecnologia 5G promete atingir velocidade de navegação e download cerca de 10 a 20 vezes mais rápida, valores em torno de 10 Gbps e ainda uma latência inferior a 1 ms (milissegundo).

Por Administrador em 06/05/2020 às 05:01:34

Num momento em que o mundo jaz no temor por causa da COVID-19, discussões em volta da quinta geração de telefonia móvel não cessaram. A 5G já é uma realidade, pelo menos em alguns poucos países como a China, Coreia do Sul, EUA, Reino Unido, Austrália, entre outros. Tal como as anteriores 1G, 2G, 3G e 4G, esta é, também, uma tecnologia que usa ondas de rádio e permite desempenhos em termos de fluxos de dados (download e upload), capacidade e velocidade de resposta da rede muito superiores face à 4G.

Actualmente, a rede 4G e todas as suas variantes permitem velocidades de aproximadamente 45 Mbps, mas a indústria ainda tem esperança de alcançar 1Gbps. A tecnologia 5G promete atingir velocidade de navegação e download cerca de 10 a 20 vezes mais rápida, valores em torno de 10 Gbps e ainda uma latência inferior a 1 ms (milissegundo).

Com esta velocidade, espera-se uma internet móvel quase instantânea, com repercussões práticas, nomeadamente no streaming, realidade aumentada e virtual móvel, na inteligência artificial, na saúde, onde, junto com a robótica, se poderá implementar cirurgias remotas; ainda revoluções na indústria automóvel, como por exemplo, na condução remota de veículos e drones, e a tão esperada comunicação entre os veículos (vehicle-to-vehicle ou V2V).

A 5G vai ainda permitir a implementação da internet das coisas (internet of things – iot) já que esta utiliza melhor o espetro de rádio e permite que mais dispositivos acessem a internet móvel ao mesmo tempo. Estima-se a conexão simultânea de aproximadamente 1.000.000 de dispositivos em uma área de 1 km2. Assim, conceitos como domótica e smart cities, deixarão de ser futuristas passando para uma realidade mais presente, pois, a 5G permitirá o controlo em tempo real de muitos dispositivos através da internet. Acredita-se que ela será o principal protagonista da IV Revolução Industrial (Indústria 4.0).

A 5G está dividida em três tipos, nomeadamente 5G mmWave, que utiliza frequências acima dos 24 GHz; a Sub-6 5G ou mid-band que utiliza frequências entre 1 e 6 GHz e a 5G low-band que utiliza frequências abaixo de 1 GHz, especificamente 600, 700, 800 e 900 MHz.

Quanto maior a frequência, menor é o comprimento de onda e, desta feita, as ondas eletromagnéticas que "transportam" o 5G mmWave não conseguem viajar grandes distâncias e perdem-se facilmente perante os obstáculos. Este será de certeza um factor a ter em conta na escolha das faixas de frequências por parte das operadoras, pois, deverá existir uma maior quantidade de antenas principalmente em espaços urbanos.

Por este facto, têm surgido vários posicionamentos contra a implementação desta tecnologia, visto que estaremos convivendo com imensas antenas e estações de base e consequentemente mais expostos as ondaseletromagnéticas. Recentemente, despontaram alaridos de que a 5G está na base da proliferação da COVID-19, pois, para estes, as ondas eletromagnéticas criam distúrbios no tecido humano e também podem provocar cancro. Porém, este tema não é novo e inclusive já se levantou perguntas semelhantes aquando do surgimento da 4G (por volta de 2010). Surge assim, a seguinte pergunta: A 5G é capaz de provocar cancro?

Em primeiro lugar, devemos entender que estamos mais propensos a contrair cancro por conta da luz solar, da luz emitida pelas lâmpadas, telas dos smartphones, comida aquecida no Micro-ondas do que pela rede 5G.

Para entender isso, basta olharmos para o espetro eletromagnético onde se nota que as micro-ondas, as ondas de infravermelho e a luz visível têm frequências maiores que as ondas de rádio usadas para comunicação.

Outro aspecto é o facto de que o cancro é derivado da alteração do DNA e as ondas que podem provocar esta alteração são as ionizantes, da qual faz parte os raios gama e raio x.

Um terceiro aspecto é, como já frisamos, quanto maior a frequência de uma onda, menor a capacidade de penetração em obstáculos, nesse caso, no tecido humano. Assim, a pele humana funcionaria como um filtro evitando que as ondas atingissem os órgãos internos.

Entretanto, esta possibilidade não é completamente descartada e estudos científicos têm sido feitos para analisar os potenciais riscos em si não só da 5G, mas também das ondas de radiofrequência em geral.

Em 2014, um artigo lançado pela OMS concluiu que não havia evidências claras de que as ondas de radiofrequências associadas ao uso de telemóveis provocassem danos à saúde a curto prazo. Porém, a longo prazo, os estudos foram dirigidos com o objectivo de avaliar a relação entre tumores cerebrais e o uso de telemóveis. O maior foi o Interphone, realizado em adultos e coordenado pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro (IARC), tendo concluído a existência de pequenas indicações de um risco aumentado de glioma para aqueles que relataram uma frequência exagerada de uso.

Em Março do corrente ano, a ICNIRP (Comissão Internacional de Proteção à Radiação Não-Ionizante), voltou a reforçar a sua posição publicada em 1998 sobre um estudo que avaliou os efeitos à saúde humana da exposição a campos eletromagnéticos de radiofrequência de 100 KHz à 300 GHz. O estudo concluiu que não há evidência relevante de efeitos adversos à saúde em níveis de exposição abaixo dos níveis de restrição. Não existe por isso razão para tanto temor.

Ao contrário, na China, a 5G com a sua eficácia da comunicação e do intercâmbio de dados, tem sido essencial na triagem de indivíduos infectados e no controlo do surto da pandemia do COVID-19.

A 5G e os seus efeitos na sociedade são deveras inegáveis, mas por força da situação actual, teremos de conter a nossa ansiedade e aguardar pelos próximos anos que certamente nos reservam avanços tecnológicos que talvez ainda nem imaginamos.

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