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MAIS AINDA NÃO SERÁ O FIM

O Status quo internacional volta a ser assombrado por uma alteração significativa na sua configuração, o anúncio da pretensão de adesão da Finlândia e da Suécia à NATO, o que consequentemente poderá gerar uma escalada do conflito na Europa, bem como uma corrida armamentista, cuja tecnologia militar virá a ser usada como instrumento bélico de pressão, reavivando assim o medo do velho fantasma do fim. Em virtude disto urge questionar: estaremos diante da 3º guerra mundial? Será o fim do mundo?

Por Administrador em 25/05/2022 às 11:06:34

Desde o fim da Guerra Fria, os países nórdicos sempre tiveram a sua posição salvaguardada pela neutralidade militar, face aos conflitos internacionais, garantida através da assinatura de acordos, com principal destaque para o Acordo de Cooperação e Assistência Mutua em 1948 e posteriormente o Acordo de Não Uso da Força de 1992. No entanto, essa garantia de neutralidade evaporou-se com os relatos de possíveis guerras em território europeu, tendo como pano de fundo a invasão da Ucrânia por militares russos.

Entre os vários relatos sobre o fim, elegemos o relato bíblico do livro de Mateus, no capitulo 24, que narra uma série de acontecimentos antevendo a segunda volta de Jesus Cristo, dentre eles, o relato sobre as guerras e os rumores de guerras entres as Nações (Mt 24:6), é neste contexto que inserimos a invasão russa na Ucrânia, como uma ação concreta geradora de uma sensação de instabilidade, que da sinais visíveis de ter induzido os países como a Finlândia e a Suécia a refletirem sobre o dilema de segurança, isto é, a procura de meios para incrementar a sua capacidade de resposta visando garantir a sua sobrevivência, face a um possível ataque da Rússia.

Entretanto, vale ressaltar que a narrativa ocidentalizada da guerra (Rússia - Ucrânia) acaba por influenciar essa decisão, pois por um lado é difícil acreditar que a Rússia se atreveria a invadir a Finlândia ao mesmo tempo que combate contra os ucranianos, por outro é perceptível que esta adesão facilitaria o alastramento da NATO para Leste, consolidando assim um acréscimo no número de países membros com ligações fronteiriças com a Russia, o que estrategicamente deixaria a NATO bem melhor posicionada em relação à Russia, e por isso teria interesse em alertar a Finlândia e a Suécia sobre a eminência de um ataque russo.

Este ultimo facto, aduz ambos os países ( Finlândia e a Suécia) a olharem para a NATO como uma tábua de salvação, uma vez que o artigo 5ª da NATO concede proteção, caso um dos países membros seja atacado, através de uma reposta militar conjunta fortemente musculada. Assim sendo, essa pretensão de adesão à NATO, sobretudo da Finlândia, exacerba a escalada do conflito, alterando a geopolítica da Europa, o que gera uma insegurança não só para os Estados vizinhos, mas também para o sistema internacional como um todo, dada a sua proximidade de cerca de 1300 km de extensão fronteiriça com São Petersburgo.

Portanto, a possibilidade de adesão da Finlândia e da Suécia, deixaria a Rússia bastante preocupada com a proximidade da NATO junto das suas fronteiras, bem como com a questão do Mar Báltico, isto é, o alastramento da NATO para o Leste Europeu encurralaria a Rússia, o que certamente geraria uma resposta proporcional a provocação, materializada nas movimentações de meios russos para a fronteira com a Finlândia como ferramentas de dissuasão nuclear, com destaque para a recente divulgação do RS- 28 SARMAT, míssil balístico intercontinental nuclear.

Apesar desta tentativa de dissuasão nuclear da Rússia, é pouco provável que haja um confronto direto entre a NATO e a Rússia, dada a capacidade militar dos países da organização e da própria Rússia, pois ambos conhecem os efeitos devastadores do uso de armas nucleares para o ambiente, assim como para a vida, este facto fica clarificado com a decisão da administração Biden em adiar os testes com o ICBM Minuteman II. Por agora pelo menos, poderá haver uma escalada no conflito, seguida de uma alteração na geopolítica europeia, caso a adesão se efective, mas não uma terceira Guerra Mundial.

Contudo, o livro de Mateus no capitulo 24, verso 8, afirma que todas essas coisas serão apenas o início das dores, o que nos pressupõe perceber que ainda não será o fim, tendo em conta a configuração anárquica do sistema internacional, os estados continuarão a tentar impor-se hegemonicamente, visando a maximização da garantia dos seus interesses.

por José Inácio

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