RCN12
Planalto Studio
Publicite

ZAP já não está «Viva»

Nove meses depois de uma longa e penosa espera, a ZAP Viva encerrou as suas portas esta semana, por força de uma decisão governamental que atirou para as sarjetas do desemprego centenas de trabalhadores, na sua maioria jovens.

Por Administrador em 12/01/2022 às 09:32:51

ZAP já não está «Viva»

Até ao último suspiro de vida, os funcionários da cadeia televisiva ainda acreditavam que o Ministério da Comunicação Social viesse a reverter o quadro no sentido de assegurar as centenas de postos de trabalho.

Em Dezembro último, o ministro de tutela havia dado garantias, em declarações públicas à imprensa, de que a situação poderia regressar à normalidade e os postos de trabalho seriam assegurados. Ledo engano! Nesta terça-feira, 11, dezenas de jovens, num gesto comovente, juntaram-se diante das instalações da estação de Talatona para agradecer à direcção da ZAP pelo favor que esta fez em pagar-lhes os 9 meses de salários, mesmo sem que estivessem a produzir.

O drama deste canal televisivo, afecto à empresária Isabel dos Santos, começou quando, em Abril do ano passado, o Ministério da Comunicação Social suspendeu as actividades da ZAP, a pretexto de que a mesma não estava legalizada, o que seria um assunto de natureza administrativa.

Pelos mesmos motivos foram igualmente suspensas a Vida-TV e Record África, esta última ligada à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Embora o argumento usado para a suspensão das actividades fosse de que os meios de difusão de conteúdos televisivos em causa não estavam legais, há no entanto outras razões que, na opinião de fontes convergentes, levaram à suspensão e posterior encerramento dos mesmos.

As distintas fontes apontam as posturas críticas desses órgãos ao desempenho governativo do presidente João Lourenço, assim como o facto de o mesmo estar ligado à Isabel dos Santos, pelo que haveria a necessidade de «limpar o caminho» antes das eleições de 2022.

Estas análises ganham uma certa consistência, tendo em conta que, num passado recente, o Executivo procedeu ao «confisco» de outros meios de comunicação social privados, nomeadamente a TV-Zimbo, Palanca-TV, a rádio Mais e o jornal o País, afecto ao grupo Media Nova, tendo em função disso subvertido as suas linhas editoriais por via da censura e auto censura.

O encerramento destes meios de comunicação colide frontalmente com as declarações públicas do Chefe de Estado, João Lourenço, que disse na semana passada que a prioridade do seu Executivo recaía sobre a criação de empregos, o que pressupõe a manutenção dos já existentes.

No total, mais de mil e tal postos de trabalho foram à vida, o que tem vindo a trazer sérios dissabores em muitos lares.

Restaurante
Banner_Animado_Planalto_Studio